top of page
Banner_Full_Oficial.jpg

‘Vamos agilizar, comece pela Rial’: mensagens mostram como ex-servidores fraudavam tapa-buraco

  • há 11 horas
  • 4 min de leitura
Sede da Construtora Rial, apontada como peça-chave nas fraudes do tapa-buraco. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Sede da Construtora Rial, apontada como peça-chave nas fraudes do tapa-buraco. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Relatório do Gecoc diz que ex-servidores recebiam propina para favorecer empreiteiro


Relatório de investigação do Gecoc (Grupo de Combate à Corrupção) revelou detalhes de como funcionavam fraudes a contratos do tapa-buraco desde 2018 em Campo Grande.


A Operação Buraco sem Fim prendeu sete pessoas, entre elas, o engenheiro sócio da Rial, Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, e seu pai, Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, o ‘Peteca’. Além deles, foram presos o ex-secretário de Obras Rudi Fiorese; o chefe do serviço de tapa-buracos, Edivaldo Aquino Pereira; o engenheiro da Sisep Mehdi Talayeh; Fernando de Souza Oliveira; e o auxiliar de fiscalização da Sisep Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula.


As investigações evidenciaram como o grupo de servidores — exonerados pela prefeita Adriane Lopes (PP) após as prisões — agia para favorecer a Construtora Rial Ltda.


Conversa entre o engenheiro-chefe responsável por assinar as medições, Mehdi Talayeh, e o auxiliar técnico Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula mostra que a fiscalização à execução da obra era feita às pressas e sem o funcionário responsável pelo registro diário, chamado de ‘apontador’. Isso, segundo o Gecoc, facilitava a manipulação dos dados para favorecer a empreiteira.


Em um dos trechos destacados pela investigação, Mehdi cobra agilidade do servidor da sua equipe, Erik, em mensagem enviada em janeiro de 2023: “Boa tarde. Precisaremos fechar hoje as medições e passar pro Rômulo pedir nota. Amanhã data limite para descer. Comece pela Rial“, ordenou.


Já em fevereiro daquele ano, Mehdi demonstra preocupação com as medições referentes aos serviços de tapa-buraco executados pela Rial: “A Rial janeiro dará mais ou menos 500 tudo, é isso? Vamos agilizar as medições de janeiro”.


Já em março do mesmo ano, Erik justifica a Mehdi a demora para finalizar as medições da Rial: “A Rial estou fechando. Está demorando porque estou tendo que medir as ruas que fizeram que não tinha apontador“, deixando claro que a fiscalização foi realizada sem a presença do servidor que registra detalhes como mão de obra, produção, equipamentos e materiais utilizados no serviço.


A função desse serviço de apontador é essencial para garantir que a obra pública seja feita com base em dados reais do canteiro, evitando pagamentos indevidos e fraudes.


O Ministério Público afirma que as medições eram manipuladas “com o propósito de permitir o locupletamento (enriquecimento sem causa) dos representados e de outros investigados de dinheiro público“.


Por parte dos ex-servidores, foram atribuídos crimes de organização criminosa e peculato, que consiste na apropriação ou desvio de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que o funcionário público tem a posse em razão do cargo.


Verdadeiro dono da construtora

Ainda conforme as investigações, a Construtora Rial tinha um verdadeiro dono que não estava no papel: o pecuarista Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como ‘Peteca’.


Então, o Gecoc diz: “Por trás da fachada formal da empresa, os elementos apontam para a atuação proeminente de ANTÔNIO ROBERTO BITTENCOURT TEIXEIRA PEDROSA, o “PETECA”, identificado como sócio oculto e verdadeiro tomador de decisões..


A empresa tem como sócios formais o filho de ‘Peteca’, Antônio, e a esposa do produtor rural, Liene Gusmão Jacques Pedrosa, que foi alvo apenas de busca e apreensão.


A reportagem tenta contato com a Rial desde o dia da operação e esteve na sede da empresa. Porém, não houve retorno até esta publicação. O espaço segue aberto.


Já a Prefeitura exonerou os servidores envolvidos e disse que pediu acesso aos autos para avaliar providências em relação aos contratos vigentes com a empresa.


O advogado de Rudi, Werther Sibut, diz que a prisão é medida “desarrazoada e não se coaduna com a história construída por Rudi, e parte do nosso papel é demonstrar sua conduta ilibada”.


Já o advogado Fábio de Melo Ferraz, que atua na defesa dos servidores da Secretaria de Obras Fernando de Souza Oliveira e Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, afirmou que seus clientes negam ter praticado os ilícitos. Diz também que Erik nega ter agido para favorecer alguém. “Eles foram surpreendidos com essa medida e não sabem por que estão participando dessa operação. Mas, com mais detalhes, eu só vou poder verificar após acesso ao processo.”


Também falou com a reportagem o advogado João Vitor Comiran, que atua na defesa do engenheiro Mehdi Talayeh. Ele reclamou da falta de acesso aos autos e disse que o Gecoc apreendeu apenas alguns documentos, um caderno de anotações, uma agenda e o celular de seu cliente. Comiran afirmou que, depois que acessar o inquérito, também entrará com pedido de liberdade.


Já o advogado Cauê Dantas, que atua na defesa de Edivaldo Aquino, disse que a prisão “não se trata, portanto, de cumprimento de pena, tampouco de reconhecimento judicial acerca da prática de qualquer conduta ilícita”.


As defesas dos demais investigados também foram procuradas, mas não retornaram aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento.


Mais de R$ 147 milhões em contratos

Peça-chave nas fraudes do tapa-buraco, a Construtora Rial Ltda. possui R$ 147.621.717,54 em contratos de obras em Campo Grande.


Conforme o Portal da Transparência do município, são oito contratos ativos para obras e serviços, sendo o mais antigo firmado em 2022.


Desse total, cinco são contratos de serviço, que abrangem o tapa-buracos, a manutenção em ruas de terra e também a sinalização por meio de construção de lombadas. O valor total para esses serviços é de R$ 42.050.710,63.


O maior montante refere-se a contratos de obras de recapeamento. A Rial opera, atualmente, em três frentes: região do Anhanduizinho (R$ 52.157.356,45), Imbirussu (R$ 29.783.245,48) e Segredo (R$ 23.630.404,98).


A atuação da empreiteira, segundo os investigadores, segue o mesmo modus operandi do que foi apurado na Operação Cascalhos de Areia, em que cinco dos atuais investigados foram denunciados.


Operação Buraco sem Fim

A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atuava fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas no município de Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.


As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.


Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02.


Fonte: Midiamax

Comentários


bottom of page
google-site-verification: google4a972b81c6e55585.html