Governo de MS revisa contrato que Rudi Fiorese ‘turbinou’ logo após assumir a Agesul
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Contratos são para reparação da malha rodoviária, mas não estão envolvidos na operação
O Governo de Mato Grosso do Sul iniciou a revisão de contratos firmados com a Construtora Rial, que foi alvo da Operação Buraco sem Fim, deflagrada na última terça-feira (12) e que mira esquema de fraude em contratos para o serviço de tapa-buraco em Campo Grande.
Ao Jornal Midiamax, a Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) informou que iniciou processo de revisão e fiscalização dos contratos vigentes com a Rial. Inclusive, um deles foi ‘turbinado’ por Rudi Fiorese — ex-secretário da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e então titular da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) — uma semana após assumir a direção da autarquia.
O Portal da Transparência do Governo de MS mostra que a Rial possui três contratos ativos com a Agesul. As obras somam R$ 50.595.719,68, ainda sem atualização dos aditivos autorizados por Rudi, que foi preso na operação.
“Ainda que tais contratos, relativos a serviços de manutenção e conservação rodoviária, essenciais para garantir a segurança e a trafegabilidade da malha viária estadual, não sejam alvo da operação, se faz necessário um reforço nas ações de controle e acompanhamento”, diz nota da pasta.
Fiorese assumiu a Agesul em 2 de fevereiro de 2026 e, uma semana depois, assinou aditivo que turbinou em R$ 1,5 milhão contrato da agência com a construtora — representada pelo sócio, engenheiro Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, que também foi preso.
Contratos turbinados
Conforme publicação do Diário Oficial do Estado, no dia 9 de fevereiro, o então titular da Agesul e o empreiteiro assinaram o sexto termo aditivo de um contrato para manutenção de rodovias na região de Três Lagoas.
Dessa forma, graças ao aval de Rudi, a obra teve acréscimo de R$ 1.515.539,73, um aumento de 13,09%. Então, o valor global do contrato passou de R$ 11.574.493,80 para R$ 13.090.033,53.
Pouco mais de um mês depois, no dia 14 de março, os dois assinaram novo termo aditivo, dessa vez para prorrogar a vigência do contrato em mais doze meses.
Antes das prisões, os dois assinaram, ainda, termo aditivo para prorrogar, em caráter excepcional, por um ano, contrato da Rial com Agesul para manutenção de rodovias na região de Camapuã.
Um segundo aditivo, de R$ 85.177,67, foi autorizado por Rudi no dia 13 de março. O aumento está no contrato da Agesul com a Rial para drenagem e asfalto no bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari.
Exoneração
Após a operação, o engenheiro — e então diretor-presidente da Agesul —, Rudi Fiorese, foi exonerado do cargo em publicação na quarta-feira (13). O anúncio da exoneração foi antecipado ainda ontem pela assessoria de comunicação do governo, saindo em diário um dia depois.
A exoneração foi assinada pelo governador Eduardo Riedel (PP) um dia depois da operação que levou Rudi à prisão. Rudi assumiu a direção da Agesul em fevereiro deste ano, entretanto, estava na Agência desde 2023, como diretor-executivo.
O engenheiro foi secretário da Sisep (Secretaria de Obras de Campo Grande) de 2016 a 2023, na gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PV). Ele foi exonerado pela prefeita Adriane Lopes (PP).
Operação Buraco sem Fim
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atuava fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas no município de Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.
As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02.
Fonte: Midiamax







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