Assistente de educação infantil diz ter sido desligada da Semed após protesto na Câmara
- Fabio Sanches

- há 20 horas
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Assistente de educação infantil afirma ter sido demitida horas após manifestação na Câmara Municipal
Na linha de frente do protesto que reuniu dezenas de assistentes de educação infantil no plenário da Câmara Municipal de Campo Grande, nesta terça-feira (3), Natali Pereira de Oliveira afirma ter sido desligada do quadro de contratados da Semed (Secretaria Municipal de Educação) por “lutar pelos direitos da categoria”, pouco após participar do ato.
Natali é presidente do Sisadei (Sindicato das Servidoras da Educação Infantil da Rede Municipal de Educação) de Campo Grande. Sua demissão foi relatada em um vídeo divulgado e compartilhado em diversos grupos de WhatsApp, horas após a mobilização das profissionais.
“Gente, vim aqui me posicionar. Acabei de chegar da manifestação por lutar pelos nossos direitos de igualdade, por respeito e dignidade, e acabei de saber, pela minha diretora, que fui desligada da Semed. A Noemi [superintendente de Gestão de Pessoas da Semed] ligou aqui e informou a ela [diretora] que fui desligada”, diz Natali no vídeo.
Demissão ocorreu após protesto
Em seu pronunciamento, a assistente afirma que foram oito anos dedicados à educação municipal. Embora não tenha recebido justificativas sobre seu desligamento, para ela, não há dúvidas de que o motivo foi a manifestação ocorrida nesta manhã. Ao chegar para o turno da tarde, foi comunicada.
“O que acontece é isso: quando você tenta se posicionar ou lutar pelo direito da sua categoria, é isso que você ganha do sistema. Então, assim, é opressão, é perseguição, abuso de poder”, afirma.
Apesar disso, Natali garante que não deixará de lutar pelos direitos das colegas de profissão, especialmente daquelas que também estão à frente do movimento.
“Eu era uma das lideranças e, como a gente não tem proteção, é isso que acontece. Faz três anos que estamos lutando contra esse sistema, não é de agora. Como eu já falei, é direito nosso, a gente não tem que ficar se calando. Tem assistente que acabou de me mandar mensagem dizendo que estão [a Semed] querendo saber mais nomes [das assistentes], com certeza para aplicar alguma punição às meninas também”, afirmou em entrevista ao Midiamax.
Sem muitas informações sobre sua demissão, Natali não sabe sequer se receberá o salário no período correto.
Abuso de poder
Segundo Natali, durante os oito anos em que trabalhou na educação municipal, atuou em três Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) de Campo Grande. Por diversas vezes, presenciou diferentes tipos de assédios e inúmeros episódios de abuso de poder.
“Tem assistente que sofre perseguição, pressão psicológica, ameaça… Muitas sofrem isso atualmente. E, geralmente, aquelas meninas que se levantam para tentar lutar contra isso são desligadas, como aconteceu comigo. Muitas vezes, a categoria até tem vontade, mas é ameaçada, coagida. É muito complicado. Por exemplo, minha diretora atual é um amor, não tenho do que reclamar. Mas a decisão vem de cima”, frisa.
Categoria se pronunciou
Após o vídeo de Natali anunciando seu desligamento repercutir em inúmeros grupos de WhatsApp, colegas de profissão se manifestaram em nota.
Trecho do documento diz: “Não aceitaremos que nenhum trabalhador ou trabalhadora tenha seus direitos à manifestação, à organização sindical e à greve violados! Exigimos que a Secretaria Municipal de Educação revogue imediatamente essa decisão arbitrária e injusta, e que receba, dialogue e acolha as reivindicações da classe!”.
Após receber os apontamentos de Natali e da categoria, o Jornal Midiamax acionou a Semed para questionar se a demissão da servidora se deve, de fato, à participação ativa na manifestação. Até o momento, não recebemos um retorno. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Protesto na Câmara
Com cartazes de protesto, assistentes de educação infantil lotaram o plenário da Câmara Municipal de Campo Grande na primeira sessão ordinária do ano. Eles ameaçam entrar em greve na próxima segunda-feira (9) e pedem a criação de vale-alimentação, aumento de 30% nos salários e formalização da nomenclatura da categoria, atualmente enquadrada como monitores de alunos.
Segundo representantes dos assistentes de educação infantil, o salário atual dos profissionais — que trabalham em Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil) — é de cerca de R$ 1.900. A demanda por aumento é de que o pagamento chegue a R$ 2.500, mais vale-alimentação de R$ 300. Os manifestantes também pedem que o poder público faça cumprir a lei do atestado de acompanhante.
“A gente trabalha 8 horas por dia, com desconto o salário cai para quase 1.500. Como vive assim? Estamos brigando também pelo vale-alimentação. Muitas não podem comer na unidade escolar. A gente precisa cobrar e pedir por respeito e valorização. Ficar com 25 crianças não é fácil”, afirma Natali Oliveira, uma das participantes da manifestação.
A assistente de educação infantil relata que há negociações sobre o assunto com a Semed (Secretaria Municipal de Educação) há, pelo menos, três anos. Segundo Natali Oliveira, são cerca de 3 mil profissionais da área da Reme (Rede Municipal de Ensino), com expectativa de mais contratações após processo seletivo neste ano.
Vereadores da Capital prometeram encaminhar as solicitações da categoria à Prefeitura de Campo Grande. O Jornal Midiamax solicitou resposta à Semed e aguarda resposta.
Fonte: Midiamax







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