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Engenheiros superfaturavam contratos para aplicar golpe em construtora de luxo de Campo Grande

  • Foto do escritor: Fabio Sanches
    Fabio Sanches
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura
Dinheiro apreendido com um dos empreiteiros alvos da operação. (Reprodução, Polícia Civil)
Dinheiro apreendido com um dos empreiteiros alvos da operação. (Reprodução, Polícia Civil)

Obra investigada seria no Jardim dos Estados


Os engenheiros alvos da Operação Abalo Sísmico, deflagrada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), superfaturavam contratos para aplicar golpe em uma construtora de luxo de Campo Grande. Engenheiros, empresários, um almoxarife e um prestador de serviço foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (3), na Capital e no Estado de São Paulo.


As investigações identificaram um esquema criminoso envolvendo engenheiros de uma grande incorporadora de empreendimentos imobiliários, contratados para a construção de edifícios de luxo, e almoxarife, em conjunto com empresas prestadoras de serviço de transporte, perfuração de solo e instalação de fundações prediais.


Segundo explicou o delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, o esquema criminoso começou a ser investigado quando foram detectados furtos de materiais diversos na construção de um prédio luxuoso. Os criminosos alteravam dados de medição, estatísticos e matemáticos para que o contrato fosse em um valor superior ao estudo de solo e estrutura de fundação.


“A investigação começou quando foram detectados furtos de materiais diversos na construção de um prédio de luxo no Jardim dos Estados, em Campo Grande. A partir disso, descobriu-se que, na verdade, o maior prejuízo causado por eles não era dos furtos, mas do superfaturamento de contratos de engenharia”, revelou.

O prejuízo causado a incorporadora ultrapassa R$ 5 milhões, sendo de apenas um prédio, mas os investigados possuem contratos com outras construtoras. Assim, não é descartada a possibilidade de terem ocorrido golpes em outras construções.


A Polícia Civil ainda investiga uma participação menor de outras pessoas no esquema criminoso. Entre os crimes apurados, estão: furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais.


Com o avanço das investigações, a especializada solicitou medidas cautelares, que foram deferidas pelo Poder Judiciário. Assim, foi deflagrada a Operação Abalo Sísmico na manhã desta terça-feira (3), que apreendeu dinheiro em espécie, arma de fogo, munições e dispositivos telefônicos dos investigados.


Delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, do Garras. (Pietra Dorneles, Midiamax)
Delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, do Garras. (Pietra Dorneles, Midiamax)

Apreensão de R$ 700 mil em espécie e arma de fogo

Em Campo Grande, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em residências e empresas. Em uma das casas, policiais do Garras encontraram aproximadamente R$ 700 mil em espécie, celulares, arma de fogo de calibre .22, sem documentação, e algumas munições. Por isso, o alvo — um empreiteiro — foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.


Segundo explicou o advogado Amilton Ferreira de Almeida, foi arbitrada fiança de R$ 5 mil ao investigado ainda na delegacia. Com o pagamento da fiança, a defesa afirmou ao Jornal Midiamax que o empreiteiro será liberado.


Além do empreiteiro preso em flagrante, outros cinco investigados, com idades entre 34 e 67 anos, foram alvos da Operação Abalo Sísmico. Os seis investigados estão proibidos de manterem qualquer forma de contato entre eles e de se ausentarem da cidade sem comunicação ao Juízo. As investigações continuam para apurar o esquema criminoso.


Também, foram cumpridos dois mandados no município de Votorantim, um em Campinas e outro em São Paulo. Equipes do GOE (Grupo de Operações Especiais) de Sorocaba estão dando apoio aos policiais da especializada.


Abalo Sísmico

De acordo com a Polícia Civil, o nome da operação se refere ao intuito da investigação: atuação de uma força no local onde foram realizadas as fundações do edifício (subterrâneo), com o objetivo de expor à vista os ilícitos cometidos durante sua realização e que causaram prejuízo milionário à incorporadora de empreendimentos imobiliários.


Fotos: Polícia Civil


Fonte: Midiamax

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