Engenheiros superfaturavam contratos para aplicar golpe em construtora de luxo de Campo Grande
- Fabio Sanches

- há 2 horas
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Obra investigada seria no Jardim dos Estados
Os engenheiros alvos da Operação Abalo Sísmico, deflagrada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), superfaturavam contratos para aplicar golpe em uma construtora de luxo de Campo Grande. Engenheiros, empresários, um almoxarife e um prestador de serviço foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (3), na Capital e no Estado de São Paulo.
As investigações identificaram um esquema criminoso envolvendo engenheiros de uma grande incorporadora de empreendimentos imobiliários, contratados para a construção de edifícios de luxo, e almoxarife, em conjunto com empresas prestadoras de serviço de transporte, perfuração de solo e instalação de fundações prediais.
Segundo explicou o delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, o esquema criminoso começou a ser investigado quando foram detectados furtos de materiais diversos na construção de um prédio luxuoso. Os criminosos alteravam dados de medição, estatísticos e matemáticos para que o contrato fosse em um valor superior ao estudo de solo e estrutura de fundação.
“A investigação começou quando foram detectados furtos de materiais diversos na construção de um prédio de luxo no Jardim dos Estados, em Campo Grande. A partir disso, descobriu-se que, na verdade, o maior prejuízo causado por eles não era dos furtos, mas do superfaturamento de contratos de engenharia”, revelou.
O prejuízo causado a incorporadora ultrapassa R$ 5 milhões, sendo de apenas um prédio, mas os investigados possuem contratos com outras construtoras. Assim, não é descartada a possibilidade de terem ocorrido golpes em outras construções.
A Polícia Civil ainda investiga uma participação menor de outras pessoas no esquema criminoso. Entre os crimes apurados, estão: furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais.
Com o avanço das investigações, a especializada solicitou medidas cautelares, que foram deferidas pelo Poder Judiciário. Assim, foi deflagrada a Operação Abalo Sísmico na manhã desta terça-feira (3), que apreendeu dinheiro em espécie, arma de fogo, munições e dispositivos telefônicos dos investigados.

Apreensão de R$ 700 mil em espécie e arma de fogo
Em Campo Grande, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em residências e empresas. Em uma das casas, policiais do Garras encontraram aproximadamente R$ 700 mil em espécie, celulares, arma de fogo de calibre .22, sem documentação, e algumas munições. Por isso, o alvo — um empreiteiro — foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.
Segundo explicou o advogado Amilton Ferreira de Almeida, foi arbitrada fiança de R$ 5 mil ao investigado ainda na delegacia. Com o pagamento da fiança, a defesa afirmou ao Jornal Midiamax que o empreiteiro será liberado.
Além do empreiteiro preso em flagrante, outros cinco investigados, com idades entre 34 e 67 anos, foram alvos da Operação Abalo Sísmico. Os seis investigados estão proibidos de manterem qualquer forma de contato entre eles e de se ausentarem da cidade sem comunicação ao Juízo. As investigações continuam para apurar o esquema criminoso.
Também, foram cumpridos dois mandados no município de Votorantim, um em Campinas e outro em São Paulo. Equipes do GOE (Grupo de Operações Especiais) de Sorocaba estão dando apoio aos policiais da especializada.
Abalo Sísmico
De acordo com a Polícia Civil, o nome da operação se refere ao intuito da investigação: atuação de uma força no local onde foram realizadas as fundações do edifício (subterrâneo), com o objetivo de expor à vista os ilícitos cometidos durante sua realização e que causaram prejuízo milionário à incorporadora de empreendimentos imobiliários.
Fotos: Polícia Civil
Fonte: Midiamax











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