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Waldir Neves e Iran Coelho vão responder por rombo de R$ 106 milhões no TCE-MS

  • Foto do escritor: Fabio Sanches
    Fabio Sanches
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura
Iran Coelho das Neves e Waldir Neves ficaram afastados do cargo por mais de dois anos. (Foto: Arquivo/TCE-MS)
Iran Coelho das Neves e Waldir Neves ficaram afastados do cargo por mais de dois anos. (Foto: Arquivo/TCE-MS)

Conselheiros da corte de contas e mais 12 pessoas foram denunciados por contrato com irregularidades, que acabou encerrado após operação da PF


Os conselheiros do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) Waldir Neves e Iran Coelho das Neves vão responder pelo rombo de R$ 106 milhões em um contrato com a Dataeasy Informática. Além deles, outras 12 pessoas são rés em ação desmembrada do STJ (Superior Tribunal de Justiça).


Em outubro de 2025, o STJ dividiu o caso, enviando parte dos autos para a Justiça de MS. Uma nova ação foi aberta na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande.


Além de Iran e Waldir, foram citados por envolvimento nas supostas irregularidades do contrato:


  • Murilo Moura Alencar, empresário e sócio da Dataeasy.

  • Paulo Antonio Morandi de Queiroz, funcionário da Dataeasy.

  • Ricardo da Costa Brockveld, diretor corporativo da Dataeasy.

  • Ronaldo Solon de Pontes Teixeira Pires, funcionário da Dataeasy.

  • Aben Keller Rodrigues, representante da empresa Hepta, que teria apresentado cotações e proposta na licitação vencida pela Dataeasy.

  • Rolando Moreira Lima Bonaccorsi, funcionário da Dataeasy.

  • Willian das Neves Barbosa Yoshimoto, sobrinho e assessor do conselheiro Waldir Neves.

  • Marcelino de Almeida Menezes, assessor do conselheiro Waldir Neves.

  • Ricardo Murilo Pereira do Monte, empresário que participou do procedimento licitatório.

  • Rafael Manella Martinelli, diretor da Redspark Technology, que atestou prestação de serviços da Dataeasy ao TCE-MS.


Devido às mudanças na Lei de Improbidade Administrativa, as acusações contra o grupo foram detalhadas. Todos eles responderão por atos de improbidade que causem enriquecimento ilícito e dano ao erário.


  • Receber vantagem econômica para fazer declaração falsa sobre qualquer dado técnico que envolva obras ou serviços públicos (art. 9º, caput e inciso VI, da LIA): Rafael Manella Martinelli e Murilo Moura Alencar.

  • Receber para si ou para outros dinheiro ou bens, ou vantagens indevidas (artigo 9º, caput e inciso I, da LIA): Waldir Neves Barbosa, Willian das Neves Barbosa Yoshimoto e Marcelino de Almeida Menezes.

  • Receber vantagem indevida (art. 9º, caput, da LIA): Murilo Moura Alencar.

  • Facilitar ou concorrer para incorporação indevida de bens, rendas ou verbas públicas e frustrar licitude de processo licitatório ou dispensa indevida de licitação, com perda patrimonial efetiva (art. 10, caput, I e VIII, da LIA): Waldir Neves Barbosa, Parajara Moraes Alves Júnior, Murilo Moura Alencar, Douglas Avedikian, Iran Coelho das Neves, Ronaldo Solon de Pontes Teixeira Pires, Ricardo da Costa Brockveld e Rolando Moreira Lima Bonaccorsi.

  • Frustrar concorrência em procedimento licitatório (art. 11, inciso V, da LIA): Aben Keller Rodrigues Alves, Paulo Antônio Morandi de Queiroz e Ricardo Murilo Pereira do Monte.


Além de delimitar as acusações, foi dado prazo de 15 dias para as defesas indicarem o que pretendem utilizar das mais de 14 mil páginas do processo e se manifestarem, caso entendam necessário. O caso continua sob sigilo.


Operação no Tribunal de Contas de MS

Em 8 de junho de 2021, a PF (Polícia Federal) deflagrou a Operação Mineração de Ouro. O nome da operação vem dos indícios de que a aquisição de direitos relacionados à mineração tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro.


As investigações tiveram início a partir de informações obtidas no âmbito da Operação Lama Asfáltica. Foi apurado o envolvimento de servidores públicos do Estado de Mato Grosso do Sul com um grupo de empresários em fraudes relacionadas a procedimentos licitatórios, obras superfaturadas e desvio de recursos públicos.


A PF identificou indícios de favorecimento de terceiros por servidores públicos, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, superfaturamento e contratação de funcionários “fantasmas”.


Em 8 de dezembro de 2022, a PF (Polícia Federal) deflagrou a Operação Terceirização de Ouro, um desdobramento da Mineração de Ouro, realizada em junho de 2021. Com apoio da Receita Federal e CGU (Controladoria-Geral da União), foram executados 30 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e em mais quatro cidades brasileiras. 


As investigações apontaram uso de pessoas jurídicas vinculadas à participação no certame para contratação de empresas com licitações fraudulentas. Entre as estratégias utilizadas para vencer as licitações, estava a agilidade na tramitação do procedimento, além de exigência de qualificação técnica desnecessária ao cumprimento do objeto.


Por fim, faziam contratação conjunta de serviços completamente distintos em um mesmo certame e apresentação de atestado de capacidade técnica falsificado.


Um dos contratos investigados, com a Dataeasy Consultoria e Informática, supera R$ 100 mil. A corte suspendeu os pagamentos à empresa após a operação e, ao fim do termo, encerrou o vínculo.


Em 10 de julho de 2024, a terceira fase da ação, intitulada Casa de Ouro, foi deflagrada. Essa etapa veio após a PF identificar compra de imóvel como forma de lavar dinheiro supostamente desviado.


Já em maio de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu parcialmente um habeas corpus ao conselheiro Waldir Neves, suspendendo medidas cautelares que o afastavam do cargo.


Em agosto de 2025, o ministro do STF autorizou o retorno às funções do conselheiro Iran Coelho das Neves. O pedido feito pelo conselheiro baseou-se na autorização dada, em maio, ao conselheiro Waldir Neves para retornar ao cargo, ordem também proferida por Moraes.


Além disso, o ministro liberou Iran de usar a tornozeleira eletrônica. O conselheiro apenas ficou proibido de ausentar-se da comarca de Campo Grande, teve passaporte suspenso e foi proibido de deixar o país.


Dos três conselheiros afastados na Operação Terceirização de Ouro, apenas Ronaldo Chadid continua suspenso das funções. Recentemente, o STJ determinou a prorrogação de um ano para o afastamento de Chadid, único que se tornou réu por lavagem de dinheiro.


Já Waldir Neves foi denunciado duas vezes por lavagem de dinheiro e corrupção. Mas ainda não foi marcada sessão para o STJ analisar o caso.


Fonte: Midiamax

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