Vendas do Brasil para os EUA recuam 12,2% no ano e registram pior resultado em três anos
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Mesmo com crescimento nas exportações globais, embarques para o mercado norte-americano somaram US$ 21 bi até julho; sobretaxas e Seção 232 impulsionaram a queda.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor nível para o período dos primeiros sete meses do ano desde 2023. Entre janeiro e julho de 2026, o volume comercializado com o mercado norte-americano somou US$ 21 bilhões, o que representa uma retratação de 12,2% (cerca de US$ 2,9 bilhões a menos) em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Os dados fazem parte do relatório Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, divulgado pela Amcham Brasil com base em informações do Comexstat.
A retração no comércio com os norte-americanos ocorre na contramão do desempenho global do país: no mesmo período, as exportações totais do Brasil para o restante do mundo cresceram 10,5%. Apesar do recuo, os Estados Unidos mantêm o posto de segundo maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China.
Impacto das tarifas e sobretaxas
A queda foi puxada principalmente pelos produtos atingidos por alíquotas mais elevadas, cujas taxas flutuam entre 25% e 37,5%. As vendas desse grupo despencaram 31,5% nos sete primeiros meses do ano, caindo de US$ 4,6 bilhões em 2025 para US$ 3,2 bilhões em 2026.
Entre os itens que sofreram as maiores reduções de embarque estão:
Sebo bovino
Madeira compensada e de coníferas
Portas e fumo
Granitos, torneiras e sucos de frutas
Também foi registrada queda no envio de semimanufaturados de ferro e aço enquadrados na Seção 232 — dispositivo da legislação dos EUA focado em segurança nacional que permite a aplicação de tarifas sobre insumos e produtos industriais.
Desvio de comércio e resultado mensal
O relatório aponta um fenômeno de redirecionamento de mercado. Quatro dos dez produtos mais vendidos aos norte-americanos tiveram queda nas remessas para os EUA, mas registraram alta nas vendas para outros países:
Óleo bruto de petróleo: -25,5% para os EUA
Semimanufaturados de ferro e aço: -11,1% para os EUA
Ferro-gusa: -7,9% para os EUA
Celulose: -5,3% para os EUA
No recorte isolado de julho, as exportações somaram US$ 3,6 bilhões, recuo de 5% em comparação a julho de 2025. O dado interrompe a reação pontual vista em junho.
Déficit comercial em alta
Do lado das importações, o Brasil comprou US$ 23,2 bilhões em produtos norte-americanos entre janeiro e julho, uma queda de 10,4% ante 2025. Em julho, contudo, houve leve alta de 0,6% nas compras (US$ 4,3 bilhões), interrompendo sete meses seguidos de queda.
Com o desequilíbrio entre embarques e desembarques, o Brasil acumula um déficit comercial de US$ 2,3 bilhões com os Estados Unidos nos sete primeiros meses de 2026 — um salto de 122,3% na comparação anual.







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