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Guerra na Ucrânia: regiões da Geórgia se dividem entre reintegração ou não à Rússia

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura
Zura Narimanishvili/Unsplash
Zura Narimanishvili/Unsplash

Abecásia quer ter sua independência reconhecida, enquanto a Ossétia do Sul busca reunificação com a Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa


A guerra na Ucrânia, que completa quatro anos nesta terça-feira (24), colocou novamente sob holofotes os movimentos separatistas em regiões pertencentes à antiga União Soviética. Na Geórgia, há dois territórios autoproclamados com demandas de separação e que recebem proteção de Moscou: a Abecásia e a Ossétia do Sul.


Internacionalmente, as regiões são reconhecidas como parte do território georgiano, exceto por Rússia, Nicarágua, Venezuela, Síria, Nauru e Vanuatu. Por sua vez, a Geórgia rejeita os termos Abecásia e Ossétia e identifica as regiões pelos nomes das capitais das regiões: Sukhumi e Tskhinvali, respectivamente.


As regiões possuem diferentes demandas de separação. A Ossétia do Sul quer se unificar à Ossétia do Norte, território pertencente à Federação Russa. Já a Abecásia busca o reconhecimento de sua independência.


Relação com a Rússia

A Rússia anexou o território referente à Ossétia do Sul em 1801 juntamente à Geórgia. Ambas foram incorporadas ao então Império Russo. Já a Abecásia se tornou um protetorado russo em 1810 e foi capturada por São Petersburgo, sede da Coroa russa, em 1867, depois de período de guerras na região do Cáucaso.


Com a Revolução Russa, em 1917, a Abecásia possuiu uma condição republicana por um breve período. Em 1931, a região foi incorporada à República Socialista Soviética da Geórgia, pertencente à antiga União Soviética.


A dissolução da União Soviética, em dezembro de 1991, levou as forças separatistas em ambas as regiões a travarem um conflito civil contra a Geórgia. No mesmo ano, a Ossétia do Sul declarou-se independente, enquanto a Abecásia rompeu em 1992.


Com a eclosão da guerra na Geórgia, em 2008, Moscou apoiou a Ossétia do Sul e a Abecásia com o envio de tropas às regiões. Após o fim do conflito, a Rússia reconheceu a independência das regiões e manteve tropas nos territórios.


‘Irredentismo’

Segundo Fabrício Vitorino, jornalista e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Política Internacional, Segurança e Defesa da Universidade Federal de Santa Catarina (NPSeD/UFSC) e do Núcleo de Estudos da Ucrânia da Universidade de São Paulo (NEU/USP), a Ossétia do Sul mantém uma relação de integração “quase estrutural” com a Rússia. “Moscou garante segurança, financia parte significativa do orçamento local e coordena a defesa e a política externa”, explicou.


O pesquisador disse que essa relação trata-se de “um caso com forte componente irredentista”. À Jovem Pan, Vitorino esclareceu que o conceito de “irredentismo” não se refere só ao separatismo, mas à reunificação de “um povo dividido por fronteiras”.


“Os ossétios do sul se veem como parte da mesma nação dos ossétios do norte, a Alânia. (…) Norte e Sul compartilham a mesma língua de origem iraniana e uma identidade histórica comum. Portanto, a aspiração teórica não é ‘virar Rússia’, mas reunir as duas Ossétias”, declarou.

Influência da guerra na Ucrânia

O professor de relações internacionais Kai Kenkel, da PUC-Rio, avaliou que, com a guerra na Ucrânia, a Ossétia do Sul e Abecásia sentiram “deslocamento” e a “concentração do esforço russo” no país. Assim, segundo o docente, há uma certa preocupação dos movimentos separatistas na região de que o apoio de Moscou tenha enfraquecido.


Somado a isso, Kenkel afirmou que, mesmo com um eventual fim da guerra na Ucrânia, a atenção russa não deve se voltar para a Geórgia. O professor explicou que isso se deve ao fato de o país não estar mais em busca de se unir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à União Europeia. À Jovem Pan, o docente esclareceu que a atual agenda imperialista da Rússia busca conter a expansão da aliança militar e do bloco em áreas do seu entorno que ainda concentram populações russas.


Já Fabrício Vitorino explicou que os conflitos na Geórgia “não derivam da guerra na Ucrânia”. No entanto, a ofensiva russa em território ucraniano “reforça a lógica russa de manutenção de zonas de influência”, como as mantidas nos territórios da Geórgia.


Além disso, a Ossétia do Sul e a Abecásia podem entrar no centro das negociações de acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia. Em declaração a jornalistas na segunda-feira (23), a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, confirmou que a União Europeia está formulando uma proposta na qual determina que o Kremlin decida por desocupar territórios na Geórgia, na Armênia ou na Moldávia. As informações são do jornal português Notícias ao Minuto.


Kallas afirmou que a iniciativa seria uma forma de “equilibrar um pouco as negociações” entre Kiev e Moscou. Para ela, o objetivo principal é dar luz ao real problema existente no Leste Europeu: “A Rússia continua a atacar os seus vizinhos”.


Fonte: Jovem Pan

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