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Em gesto de trégua, Michelle e Flávio Bolsonaro gravam propaganda política juntos em Brasília

  • há 19 horas
  • 2 min de leitura
O momento de união vem após uma série de trocas de farpas públicas entre madrasta e enteado - WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
O momento de união vem após uma série de trocas de farpas públicas entre madrasta e enteado - WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Em busca de alinhar o discurso e demonstrar unidade no Partido Liberal (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, reuniram-se nesta terça-feira (11) em Brasília para a gravação de vídeos de campanha. O material será veiculado em inserções de propaganda eleitoral e em redes sociais, com declarações mútuas de apoio às candidaturas de Flávio ao Planalto e de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal.


O movimento de reaproximação ocorre após anos de trocas de farpas, divergências sobre o direcionamento partidário e desentendimentos públicos entre a ex-primeira-dama e os filhos de Jair Bolsonaro.


Histórico de atritos e disputas de espaço

A rotina de atritos entre Michelle e os enteados ganhou visibilidade ao longo do mandato de Jair Bolsonaro e intensificou-se no período pós-presidência:

  • Sinais iniciais na posse (2019): Durante o desfile em carro aberto na posse presidencial de 2019, Carlos Bolsonaro ocupou o banco traseiro do Rolls-Royce ao lado do pai e de Michelle, quebrando o protocolo tradicional e sinalizando a disputa por proximidade e influência.

  • Atritos digitais e confirmação pública: Após o pleito de 2022, trocas de indiretas em redes sociais expuseram o desgaste na relação familiar. Em fevereiro de 2025, o próprio Jair Bolsonaro confirmou publicamente que Michelle e Carlos haviam cortado relações devido a divergências pessoais.

  • Conflitos sobre alianças regionais (2025): No fim de 2025, críticas de Michelle à articulação do PL com Ciro Gomes no Ceará provocaram reações de Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, que defenderam a autonomia das negociações autorizadas pelo ex-presidente.

  • Escalada no ano eleitoral de 2026: Em junho, Michelle publicou um vídeo acusando Flávio de tê-la tratado com ríspidez em uma ligação telefônica e desqualificado sua atuação política, episódio que chamou de "punhalada".


Reconciliação antes das convenções

O clima de tensão começou a arrefecer em julho, quando Flávio divulgou um pronunciamento em vídeo pedindo desculpas à madrasta. Na ocasião, o senador destacou o trabalho de Michelle à frente do PL Mulher e o apoio prestado por ela a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.


Michelle aceitou o pedido de desculpas publicamente no mesmo dia, defendendo a união da extrema-direita em torno do projeto eleitoral do grupo. A gravação conjunta em Brasília sela o acordo de cooperação e busca afastar a imagem de divisão interna do PL na reta final do calendário eleitoral.

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