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‘Sentimento de vingança’: família de Mazzini diz à Justiça que Bernal não aceitava perda da casa

  • há 6 dias
  • 2 min de leitura
Roberto Mazzini foi morto por Alcides Bernal. (Reprodução, Redes Sociais e Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Roberto Mazzini foi morto por Alcides Bernal. (Reprodução, Redes Sociais e Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Documentos nos autos mostram que Bernal não tinha propriedade da casa desde julho de 2025


Na última oportunidade da família do fiscal tributário Roberto Mazzini de dar uma declaração à Justiça, a viúva e os filhos afirmaram que o ex-prefeito Alcides Bernal agiu motivado por vingança por não aceitar perder a casa que foi cenário da morte do servidor público.


Nas alegações finais, o advogado Tiago Martinho, que representa a família, explica que Mazzini adquiriu a residência no Jardim dos Estados, em Campo Grande, junto à Caixa Econômica Federal. Segundo o documento, o local pertenceu a Bernal até julho de 2025.


“[…] Alcides Bernal não aceitava a perda do imóvel para a Caixa Econômica Federal e, impelido por sentimento de vingança, decidiu matar Roberto Mazzini“, alega. Além disso, a família ressalta que Bernal deu um tiro a curta distância e saiu sem prestar socorro — versões refutadas pela defesa do ex-prefeito.

“Em seguida, em atitude perversa, realizou um segundo disparo com a vítima já caída e a curta distância, evadindo-se do local sem prestar socorro, revelando sua insensibilidade”, descreve.

Durante audiência, Bernal diz que atirou porque Mazzini teria avançado em direção a ele, o que explicaria a curta distância. Explicou também que saiu do local e foi à 1ª Delegacia de Polícia Civil para que acionassem o socorro.


A família Mazzini faz parte da acusação no caso da morte do patriarca e juntou as alegações aos autos como complemento ao documento do Ministério Público. A promotoria pede que Bernal seja levado a júri popular por homicídio qualificado.


Por quais crimes Bernal pode responder?

Conforme o pedido do MP, o homicídio pode ter os seguintes agravantes:

  • Motivo torpe: crime cometido por razão repugnante, como vingança ou dinheiro (Bernal não aceitou que Mazzini arrematou o imóvel em que morava);

  • Meio cruel: foi cometido de forma que causou sofrimento desnecessário e atroz à vítima;

  • Recurso que dificultou a defesa: vítima foi pega de surpresa por meio de emboscada, traição ou ataque repentino, reduzindo suas chances de se defender;

  • Idade: aumento da pena porque a vítima tinha mais de 60 anos (idoso).


Caso o juiz acate essas qualificadoras, o caso será tratado como crime hediondo. Isso significa que não será possível determinar fiança ou obter perdão judicial. Além disso, nesses casos, há critérios mais rigorosos para a progressão de regime.


O MP também aponta que Bernal cometeu outros dois crimes, que podem ampliar a pena em uma possível condenação: violação de domicílio e porte ilegal de arma de fogo.


Agora, a defesa de Bernal deverá se manifestar no processo sobre as alegações do MP e, por fim, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Carlos Alberto Garcete, decidirá sobre a pronúncia de Bernal.


Pedidos de liberdade negados

No dia 3 de junho, a Justiça negou o terceiro pedido de liberdade do ex-prefeito Alcides Bernal.


O juiz entendeu que os motivos que decretaram a prisão continuam os mesmos, já que há materialidade dos fatos e indícios suficientes da morte — corroborados pelos depoimentos nas audiências de acusação e de defesa, como apontou a acusação.


Foram realizadas audiências e mais de 10 testemunhas foram ouvidas sobre o caso.


Fonte: Midiamax

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