Retorno na Câmara de Ivinhema tem bronca, ‘vergonha’ e bate-boca de prefeito com vereadora
- Fabio Sanches

- há 2 horas
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Políticos tiveram de levar parte do hino oficial do município no 'gogó', situação que causou risos, mas também constrangimento
A abertura do ano legislativo de Ivinhema, cidade distante 292 km da Capital, foi marcada por puxão de orelha, erros técnicos, constrangimento de parlamentar e “bate-boca” entre o prefeito Juliano Ferro (PL) e uma vereadora.
Logo no início da solenidade, erros de sonorização obrigaram os políticos e as poucas pessoas presentes em plenário a cantarem o fim do hino oficial do município no “gogó”. A situação causou risos, mas também constrangimento.
“Gente do céu, chega a ser vergonhoso”, disparou a vereadora Lucimar Oliveira Viana (MDB). Juliano Ferro, por sua vez, brincou com a situação, destacando o desempenho vocal do vereador José Wilson (PSDB). “Ainda bem que o Zé é o nosso backing vocal”, brincou.
O presidente Celso Miranda Alves de Souza, o Bira (PSDB), desculpou-se com o público pelas falhas e destacou que elas estão sendo recorrentes. O chefe do Legislativo deixou uma bronca para a equipe técnica da Casa de Leis.
“Eu não sei o que tá acontecendo, mas com frequência estão acontecendo esses erros. É complicado, gente. Tem que sentar e conversar, porque já passou da hora, né? Teve muito tempo, o recesso, é inadmissível tá acontecendo esse tipo de coisa. Uma vergonha para a Casa, tá?”, disparou.
‘Rádio Peão’
Na sequência, o prefeito Juliano Ferro recebeu a palavra e já fez questão de colocar os pingos nos I‘s. Ele agradeceu o presidente Bira pela parceria de dois anos e afirmou que conversas que chegam aos ouvidos do chefe do Legislativo não passam de boatos.
“Dizer que alguns boatos que às vezes chegam ao senhor são mentiras. Eu tenho uma grande admiração pelo senhor. Fomos parceiros no primeiro mandato, estamos sendo parceiros aqui, como somos com 10 vereadores aqui, e a gente tem que estar assim: sempre unido, trabalhando pra gente construir cada um o seu espaço politicamente”, disse Juliano.
Depois de fazer um balanço da administração, Juliano emplacou que as críticas que recebe “é de quem não produz”. O prefeito disse ainda que aqueles que o atacam seriam incompetentes.
“O que critica é aquele que não manda, não consegue um recurso, não consegue uma emenda, que acha que fazer política e ser gestor, ser vereador, é estar na tela de um telefone falando um monte de bobeira e não dá um passo adiante de fazer o seu papel, que é trazer o desenvolvimento pra sociedade. E nos ataca porque é incompetente, e estamos aqui, fazendo um serviço de excelência”, afirmou, agradecendo apenas 10 dos 11 vereadores.
A sequência da sessão solene explicou e indicou quem seria “excluído” na lista dos parceiros de Ferro na Câmara de Ivinhema.
Bate-boca
Após elogios do vereador Erlon Dionísio (Podemos), o qual frisou que “só não enxerga” os resultados da administração “quem não quer”, Juliano Ferro criticou explicitamente a vereadora Lucimar Viana (MDB). Ferro acusou a parlamentar de fazer “cara de deboche” enquanto o colega do Podemos valorizava os feitos do prefeito.
“Quero parabenizar o vereador pela pergunta e dizer da deselegância da vereadora ao seu lado. Ao fazer a pergunta e falar sobre a nossa administração, [ela] fez cara de deboche. Vereador que não tem a capacidade de fazer uma pergunta pro prefeito no dia de hoje, isso mostra a incompetência. Não tem um recurso, não tem nada. Só é bom na internet, em criticar. Gostaria que a vereadora, que não tem o direito da palavra, pelo menos respeitasse os nobres vereadores, porque nós não estamos aqui brincando”, disparou.
Na sequência, Lucimar respondeu: “O dia que eu quiser fazer uma pergunta para você, eu faço através de requerimento e ofício, que lá você responde com educação”. Juliano, por fim, disse que estaria respondendo com educação. “Acho que a falta de educação aqui é sua”, afirmou.
Ao longo de toda a sessão, Juliano apontou apenas 10 vereadores atuando em parceria com a administração municipal e buscando recursos.
Vale lembrar que Lucimar integra o partido do ex-prefeito de Ivinhema e atual deputado estadual, Renato Câmara (MDB), com quem Juliano Ferro travou processo na Justiça e acabou condenado à prestação de serviços comunitários após ameaçar o opositor político.
Sem medo de polêmicas
Na contramão dos mecanismos de gerenciamento de crise, Juliano confessou não se preocupar com as polêmicas que acumula. Ao responder questionamentos sobre a educação, disse que o fechamento de escolas em Ivinhema se deu em razão da segurança dos alunos.
“Fechamos as escolas porque nós temos preocupação com as nossas crianças, e aquela escola está em estado daquele crítico há mais de 20 anos. Ninguém fechou para não dar uma parte polêmica. Só que a minha preocupação não é uma polêmica a mais ou a menos que eu vou enfrentar. A minha preocupação é com as vidas daqueles alunos que estão ali. E realmente é visível e notório que estava sendo até dirigente a gente colocar as crianças ali dentro. E por isso que nós resolvemos fechar. Traz um constrangimento para a administração, traz um constrangimento para nós, mas traz uma segurança para as nossas crianças”, disse o prefeito, cobrando apoio dos parlamentares e destacando a disposição do governador Eduardo Riedel com as obras estruturantes no município.
E polêmica é algo que não falta na vida pública de Juliano Ferro. Com a exposição digital muito superior à média dos gestores municipais, o autointitulado “prefeito mais louco do Brasil” recentemente se envolveu em episódios para lá de comprometedores.
O primeiro envolveu uma briga no Centro de Ivinhema, quando Juliano desceu de sua caminhonete com uma barra de ferro e partiu para cima de um homem em via pública. O caso aconteceu na noite do dia 30 de dezembro. No dia seguinte, o prefeito se pronunciou, dizendo já ter registrado três boletins por ameaça contra o homem agredido.
Mais recente, Juliano viu o relacionamento de seis meses terminar na delegacia. Uma veterinária, com quem Ferro emplacou namoro após o término do casamento, em 2025, resultou em pedido de medida protetiva, acusação de violência e muita explicação nas redes sociais.
Ontem (2), Juliano passou a chefia da Secretaria de Habitação para a ex-mulher, Samara Donato. Ela está incumbida da missão de tocar um projeto estimado em R$ 30 milhões para entrega de 300 casas no município. Aliados já sinalizam que a manobra seria uma articulação política para construir sucessão “da confiança” de Ferro.
“Eu gostaria também de agradecer o senhor pela maturidade que o senhor tem passado esses dias. Parabéns por lidar com esses impasses que aparecem no dia a dia. O senhor soube lidar com isso. Parabéns, meu amigo. Essa situação constrangedora sempre irá aparecer no seu caminho”, disse o vereador Vagner Pires (PSD), em determinado momento da sessão.
Fonte: Midiamax







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