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R$ 3,1 milhões: confira como serão aplicados os recursos para combate à chikungunya em Dourados

  • há 11 horas
  • 4 min de leitura
Força Nacional do SUS em Dourados (Divulgação, Edjalma Borges/Ministério da Saúde)
Força Nacional do SUS em Dourados (Divulgação, Edjalma Borges/Ministério da Saúde)

Aplicação inclui desde abastecimento de água e transporte de equipes até limpeza urbana e distribuição de alimentos em Dourados


Dourados concentra atualmente o cenário mais crítico da chikungunya no Estado, com cinco mortes, 1.365 casos confirmados e quase 3 mil notificações suspeitas. Diante do avanço da doença, o Governo Federal estruturou uma resposta emergencial que alia assistência humanitária, reforço na saúde, controle do vetor e investimentos em infraestrutura. Ao todo, mais de R$ 3,1 milhões foram assegurados para ações imediatas.


As medidas têm como foco principal as aldeias indígenas de Dourados, áreas mais afetadas pela epidemia. Na sexta-feira (3), o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a presidenta da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Lúcia Alberta Baré, estiveram em Dourados para ouvir as demandas locais, anunciar as ações previstas e detalhar o volume de recursos destinados às comunidades.


Do total de recursos previstos, R$ 1,3 milhão, autorizado pelo MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional), será aplicado diretamente em medidas de socorro e assistência humanitária. Os recursos incluem apoio logístico, uso de caminhões-pipa, transporte de equipes e distribuição de água potável em áreas com abastecimento precário.


O Ministério da Saúde destinou R$ 855,3 mil para fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar o atendimento à população e intensificar o controle da chikungunya.


Já a Defesa Civil aprovou R$ 974,1 mil para ações de limpeza urbana, manejo de resíduos e eliminação de criadouros do mosquito, considerados pontos-chave para conter a transmissão da doença.


Plano emergencial de R$ 1,3 milhão

O plano emergencial prevê a aplicação de R$ 1.348.143,40 em recursos, com foco em aldeias indígenas e acampamentos. A iniciativa deve beneficiar cerca de 5 mil residências em 19 locais, ao longo de 15 dias de operação. Entre as ações porevistas estão:

  • R$ 512,2 mil para caixas d’água e telas – aquisição de caixas d’água, telas de proteção, lonas e outros materiais, com foco na redução de criadouros do mosquito e no controle de doenças;

  • R$ 471,2 mil para locação de veículos – investimento para disponibilizar caminhonetes, caminhões e caminhões-pipa, assegurando mobilidade das equipes de saúde e distribuição de água e alimentos;

  • R$ 180 mil para alimentação e hospedagem – contratação de estabelecimento para fornecer refeições e hospedagem para 50 agentes efetivos;

  • R$ 154,1 mil para combustíveis – recurso destinado à manutenção de viaturas, garantindo o deslocamento contínuo das equipes e o transporte de insumos essenciais no combate a arboviroses;

  • R$ 24,9 mil para abastecimento de água – locação de bombas e mangueiras para ampliar a capacidade de armazenamento e distribuição de água nas comunidades atendidas;

  • R$ 5,5 mil para internet – conexão de alta velocidade e baixa latência global para áreas remotas, tipo Starlink.


Além disso, as ações em campo também foram intensificadas com o envio de 50 agentes de combate a endemias, parte deles já em atuação, com apoio de 40 militares do Exército e uso de viaturas.


A Força Nacional do SUS já realizou 1,2 mil atendimentos, 81 remoções para média e alta complexidade e 225 visitas domiciliares. Como medida de controle do vetor, 1 mil armadilhas com larvicida foram instaladas para interromper o ciclo do mosquito.


R$ 1 milhão para limpeza em Dourados

Na área de limpeza urbana, considerada uma das principais frentes de combate, o Governo Federal cobra a execução imediata dos quase R$ 1 milhão liberados ao município. Segundo Eloy Terena, os valores já estão disponíveis e precisam ser aplicados com urgência.


“Os recursos irão garantir a coleta de resíduos nas comunidades indígenas”, afirmou. Segundo ele, a integração entre cidade e aldeias é essencial. “A terra indígena de Dourados é integrada ao município, então as ações devem ser conjuntas”, explicou.

A retirada de resíduos e o manejo adequado do lixo são apontados como essenciais para reduzir focos do mosquito, especialmente na Reserva Indígena de Dourados. Além da limpeza, o plano prevê a destinação dos residuos em aterro sanitário licenciado.


Obras de R$ 53 milhões prometem pôr fim à falta de água

Paralelamente às ações emergenciais, o Governo também anunciou um investimento estrutural de R$ 53 milhões para ampliar e reestruturar o sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó. A medida busca corrigir um problema histórico que afeta mais de 20 mil indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena.


O projeto, relizado em parceria com a Saneul, prevê a ampliação da rede, regularização do fornecimento e redução da necessidade de armazenamento improvisado de água — prática que contribui diretamente para a proliferação do mosquito. A iniciativa surge após anos de falhas no sistema atual, implantado em 1997 e considerado insuficiente diante do crescimento populacional.


Além das obras, a Sanesul deverá realizar uma audiência pública para discutir a política de cobrança pelo serviço. A Funai, no entanto, defende que não haja tarifa para os povos indígenas, considerando a situação de vulnerabilidade.


“O abastecimento de água é uma obra fundamental para salvar vidas e reduzir o avanço da endemia”, afirmou a presidenta.

Distribuição de alimentos e reforço na segurança

Como complemento às ações de assistência, o plano também prevê a distribuição de alimentos às comunidades indígenas. Inicialmente, serão entregues 2 mil cestas básicas, com a meta de alcançar 6 mil unidades até junho, em parceria com órgãos federais.


Na área da segurança, indígenas relataram aumento da violência na região. Em resposta, a Funai informou que atua na articulação com outros órgãos, mas reforçou não ter poder direto de policiamento.


Entre as alternativas em discussão está a criação de uma base operacional de defesa, nos moldes das já existentes na Amazônia. A proposta ainda será analisada pelo Governo Federal como forma de ampliar a presença do Estado nas aldeias.


Conforme o Governo Federal, as ações têm como objetivo conter, a curto prazo, o avanço da chikungunya e, simultaneamente, enfrentar problemas estruturais que contribuem para a disseminação da doença em Dourados.


Fonte: Midiamax

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