O que foi discutido na 1ª rodada de negociação entre EUA, Ucrânia e Rússia
- Fabio Sanches

- há 3 dias
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Representantes de Moscou e Kiev encerraram conversas iniciais mediadas por Washington, com foco em critérios territoriais e garantias de segurança
A primeira rodada de negociações trilaterais entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, realizada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, terminou neste sábado (24), sem a divulgação de detalhes sobre um acordo final, mas com a promessa de continuidade. Após dois dias de reuniões a portas fechadas, as partes concordaram em manter o diálogo, com previsão de retomada possivelmente já na próxima semana.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e representantes dos Emirados Árabes classificaram o ambiente das conversas como “construtivo”. Em mensagem na rede social X, Zelensky afirmou que “muitos assuntos foram discutidos” e destacou a importância de as conversas terem ocorrido de forma positiva. Delegados ucranianos também relataram ao portal Axios que a reunião foi produtiva.
Um funcionário americano que descreveu os encontros como “otimistas e positivos” disse que os negociadores retornarão aos Emirados Árabes Unidos para a próxima rodada em 1º de fevereiro.
Pontos de discussão
Segundo fontes ligadas às agências russas e declarações oficiais, as mesas de negociação trataram de documentos sobre território, garantias de segurança e critérios para o fim da guerra. No entanto, o principal obstáculo continua sendo a situação no leste da Ucrânia.
A Rússia, que enviou uma delegação composta exclusivamente por militares e liderada pelo chefe do serviço de inteligência militar (GRU), Igor Kostiukov, considera essencial a retirada das tropas ucranianas da região do Donbass. “Esta é uma condição muito importante”, alertou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov. Uma fonte oficial russa reforçou à agência TASS que, sem uma solução territorial, não há sentido em esperar um acordo de longo prazo.
Por outro lado, a Ucrânia exige garantias de segurança que obriguem os Estados Unidos e aliados europeus a defendê-la em caso de nova agressão, nos moldes do artigo 5º da Otan. Zelensky ressaltou a necessidade de os EUA “supervisionarem e controlarem o processo de fim da guerra”. Moscou, contudo, opõe-se categoricamente ao envio de tropas ocidentais ao território vizinho.
Um funcionário americano afirmou que autoridades russas e ucranianas provavelmente precisariam de novas conversas na Rússia ou na Ucrânia antes de Zelensky se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, ou mesmo ter uma sessão conjunta com o presidente Donald Trump.
Exclusão europeia
As negociações ocorrem em um cenário crítico para Kiev. Enquanto as conversas aconteciam, a Ucrânia denunciou bombardeios russos noturnos que deixaram mortos e feridos na capital e em Kharkiv, além de terem afetado a rede energética em meio a temperaturas de -10°C. “Seus mísseis não atingem apenas pessoas, mas também a mesa de negociações”, declarou Zelensky.
Esta rodada de negociações acontece longe da Europa e sem a participação da União Europeia. Em Davos, Zelensky criticou a “fragmentação” europeia e a falta de vontade política do bloco diante de Vladimir Putin. O formato atual, mediado pelos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, foi aprovado após reuniões prévias de Trump com Zelensky e de enviados dos EUA com Putin em Moscou.
As delegações têm previsão de retornarem às suas capitais para reportar o andamento das discussões aos seus líderes e coordenar os próximos passos.
*Com informações da AFP, EFE e Estadão Conteúdo
Fonte: Jovem Pan







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