Nova sede da Fiocruz MS amplia pesquisas em saúde, biodiversidade e vigilância epidemiológico
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Estrutura de 3,6 mil m² reúne laboratórios modernos, biotério e tecnologia de ponta para fortalecer a produção científica
A Fiocruz Mato Grosso do Sul apresentou à imprensa, neste sábado (20), a nova Sede de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, em Campo Grande. Com 3.677,42 metros quadrados de área construída, a estrutura foi projetada para ampliar a capacidade científica da instituição e fortalecer pesquisas voltadas à saúde pública, biodiversidade, vigilância epidemiológica, populações indígenas e grupos em situação de vulnerabilidade.
Durante a visita, a diretora da Fiocruz MS, Jislaine Guilhermino, destacou que a atuação da instituição foi construída a partir das demandas do próprio território sul-mato-grossense.
“Mato Grosso do Sul é um estado importante do ponto de vista da vigilância epidemiológica, vigilância genômica e vigilância molecular. Nós fazemos fronteira com dois países e cinco estados, então é fundamental acompanhar o que está circulando na Bolívia e no Paraguai para que o sistema de saúde esteja preparado”, afirmou.
Segundo ela, além das questões relacionadas às doenças transmissíveis, a biodiversidade do Cerrado e do Pantanal também representa um importante campo de pesquisa para a instituição.
A nova sede é resultado de um processo iniciado em 2007, quando começaram as articulações para a implantação da Fiocruz no Estado. A estrutura atual foi viabilizada por meio de parceria com a Embrapa e passou por reformas iniciadas em 2021.
Cinco eixos de pesquisa
As atividades da unidade estão organizadas em cinco eixos estruturantes: Meio Ambiente e Saúde; Saúde das Populações Indígenas; Saúde das Populações em Situação de Vulnerabilidade; Agravos Transmissíveis e Não Transmissíveis; e Educação, Informação e Comunicação em Saúde.
Jislaine ressaltou que as linhas de atuação foram definidas em conjunto com universidades, pesquisadores, gestores e instituições locais.
“Mato Grosso do Sul possui uma população indígena importante, com diversas etnias. Também trabalhamos com doenças como dengue, Chikungunya, leishmaniose, doença de Chagas, hepatites virais e tuberculose, além de pesquisas voltadas para populações em situação de vulnerabilidade, como pessoas em situação de rua, quilombolas, ribeirinhos e população privada de liberdade”, explicou.
Atualmente, a Fiocruz MS desenvolve 53 projetos de pesquisa em andamento, realizados em parceria com uma rede de 64 instituições nacionais e internacionais.
Laboratório estuda potencial da biodiversidade sul-mato-grossense
Um dos destaques da nova sede é o Laboratório de Biodiversidade, onde pesquisadores trabalham com materiais obtidos da flora regional para investigar possíveis aplicações na saúde.
O pesquisador em saúde pública Aron Carlos explicou que a estrutura permite acompanhar todas as etapas da pesquisa, desde a coleta até análises avançadas.
“A gente faz desde a coleta desse material em campo, traz para o laboratório, realiza o processamento, a identificação e a separação dos compostos que depois seguem para testes biológicos. É uma plataforma robusta, capaz de realizar análises de proteômica, metabolômica, sequenciamento genético e biologia molecular”, detalhou.
A pesquisadora Mariana acrescentou que o laboratório prepara diferentes extratos vegetais para caracterização química e avaliação biológica.
“Nós recebemos esse material vegetal, preparamos soluções extrativas e diferentes tipos de extratos. Depois, esse material é analisado em conjunto com outros laboratórios para explorar o potencial químico e biológico dos produtos naturais da biodiversidade de Mato Grosso do Sul”, explicou.
Biotério e pesquisas experimentais
A nova sede também conta com um biotério voltado à experimentação científica. Segundo a pesquisadora em saúde pública Alexsandra Rodrigues, o espaço não será utilizado para criação de animais, mas para pesquisas específicas desenvolvidas conforme a necessidade de cada estudo.
“É uma área de experimentação animal. Não vamos criar animais aqui, vamos realizar os experimentos necessários para as pesquisas”, afirmou.
Ela explicou que os estudos podem utilizar modelos experimentais, como camundongos e ratos, dependendo dos protocolos científicos aprovados e dos objetivos de cada pesquisa.
No local também funcionam laboratórios destinados ao cultivo celular, imunofarmacologia e análises laboratoriais.
“Aqui serão testadas substâncias em diferentes tecidos e modelos experimentais. Temos equipamentos para estudar alterações em tecidos animais e humanos, além de sistemas para detecção de anticorpos relacionados a agravos como leishmaniose e dengue”, disse.
Tecnologia e segurança
A estrutura foi desenvolvida com alto nível de automação e biossegurança. O prédio possui sistemas que monitoram em tempo real temperatura, umidade, pressão, iluminação, armazenamento de amostras e circulação de gases.
Segundo Jislaine Guilhermino, sensores instalados em diferentes ambientes permitem respostas automáticas em caso de qualquer alteração que possa comprometer a segurança dos pesquisadores ou dos experimentos.
“É uma estrutura muito qualificada, preparada para atender às regulamentações mais modernas. Todo o sistema foi pensado para garantir segurança, qualidade das pesquisas e sustentabilidade do prédio”, destacou.
Impacto para a saúde pública
Para a diretora, a nova sede representa um salto na capacidade de pesquisa e inovação da instituição.
“Esse prédio amplia a nossa capacidade científica e tecnológica para desenvolver projetos em saúde pública e fortalecer as parcerias com instituições locais, regionais e nacionais. Já produzimos resultados importantes para a sociedade e agora teremos condições de ampliar ainda mais esse alcance”, afirmou.
A inauguração oficial da nova Sede de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Fiocruz Mato Grosso do Sul está marcada para segunda-feira (22), consolidando um investimento que deve fortalecer a produção científica voltada à promoção da saúde e da qualidade de vida da população do Estado e das regiões de fronteira.
Pietra Dorneles / Midiamax

Fonte: Midiamax










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