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Consórcio Guaicurus vendeu garagem pela metade do preço e ação pede bloqueio de imóvel

  • há 15 horas
  • 4 min de leitura
Família Constantino vendeu sede da Viação Cidade Morena pela metade do preço para imobiliária da família com os mesmos sócios. (Léo de França, Jornal Midiamax)
Família Constantino vendeu sede da Viação Cidade Morena pela metade do preço para imobiliária da família com os mesmos sócios. (Léo de França, Jornal Midiamax)

Ação aponta indício de fraude fiscal na venda para empresa pertencente aos mesmos donos do Consórcio


Ação que acompanha a intervenção no Consórcio Guaicurus em Campo Grande ganha um novo elemento. O autor do processo, Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, colocou sob suspeita a venda da principal garagem da concessionária por metade do valor para outra empresa que também pertence aos donos do Consórcio.


Então, a ação pede o bloqueio urgente do imóvel de 40,5 mil metros quadrados na Avenida Gury Marques, da Viação Cidade Morena (líder do Consórcio Guaicurus), em que funcionam a sede administrativa do Consórcio Guaicurus e a principal garagem de ônibus da concessionária.


Conforme extraído dos autos, o imóvel constava na contabilidade do Consórcio Guaicurus como um ativo imobilizado no valor de R$ 14.405.170,30 (valor líquido de R$ 11,1 milhões após descontada a depreciação), mas foi vendido no preço de R$ 7,7 milhões, conforme escritura pública na matrícula anexada ao processo.


Para o autor da ação, trata-se de fraude por simulação de venda, já que a compradora do imóvel é a Pauma Empreendimentos Imobiliários Ltda. (CNPJ 03.004.469/0001-97), sediada em Presidente Prudente (SP).


Acontece que tanto a Viação Cidade Morena quanto a Pauma Empreendimentos pertencem à família Constantino — controladora do Consórcio Guaicurus.


Para o advogado, a venda foi, na verdade, simulação de negócio jurídico feito sem autorização do município. Isso porque, apesar de ser uma propriedade privada, com a concessão efetivada em 2012, o local passou a ser afetado ao Poder Público, já que foi considerado essencial para o serviço público de transporte coletivo.


O autor da ação afirma que o prédio é um bem reversível — ou seja, que, ao fim do contrato de concessão, é um imóvel que deveria ser revertido ao município.


Baseado nisso, o autor pede à Justiça a indisponibilidade do imóvel — para evitar que os donos do Consórcio Guaicurus vendam o prédio através da Pauma Empreendimentos; a declaração de nulidade da escritura de compra e venda — com retorno do imóvel ao patrimônio vinculado à concessão — e ressarcimento ao erário da diferença entre o valor real de mercado e os R$ 7,7 milhões da venda.


Por fim, a petição requer à Justiça a investigação dos vínculos societários da Viação Cidade Morena e da Pauma Empreendimentos Imobiliários para apurar eventual simulação, com encaminhamento ao Ministério Público para possível ação criminal contra os empresários envolvidos no negócio.


Em nota enviada à reportagem, o Consórcio Guaicurus afirmou que a venda foi legal e obedeceu ao estabelecido no contrato de concessão. No entanto, a concessionária não respondeu sobre a diferença do valor da escritura para o valor real do imóvel. Segue a nota na íntegra:


“Com relação às alegações feitas no processo nº 0866877-02.2025.8.12.0001 sobre a venda de imóvel utilizado como sede administrativa e garagem, o Consórcio Guaicurus esclarece que tais afirmações desconsideram regra expressa do próprio Contrato de Concessão. Qualquer conclusão sobre reversibilidade de bens precisa partir do que o contrato efetivamente estabelece sobre os bens de propriedade da concessionária utilizados como apoio administrativo e operacional. No caso do imóvel mencionado, não se tratava de bem reversível ao Município. O Consórcio Guaicurus permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários.”

A Prefeitura também foi procurada pelo Midiamax para esclarecer se foi notificada da venda do imóvel, mas não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.


Conglomerado familiar

A Pauma Empreendimentos foi fundada em 1999, na cidade de Presidente Prudente, interior oeste de São Paulo, cidade a cerca de 86 km da divisa com Mato Grosso do Sul.


O fundador é o patriarca da família Constantino, Paulo Constantino (ex-prefeito de Presidente Prudente). Atualmente, a Pauma possui uma filial em Bataguassu (MS), onde comercializa o loteamento Recanto Piraretã.


Compõem a sociedade da Pauma, conforme dados públicos disponibilizados pela Receita Federal: Ana Lúcia Constantino Bongiovanni, Deise Constantino, Iris Marta Constantino Meneghin, Luciene Constantino Di Colla, Lucimara Constantino, Maraluce Constantino, Maria Fernanda Constantino Oishi Pires (administrador), Paulo Constantino de Carvalho (administrador) e Thiago Constantino Di Colla (administrador).


Eles também compõem o quadro societário da Uai Administração e Participações Ltda. (CNPJ 09.548.184/0001-01) e da Sic – Administração e Participações Ltda. (CNPJ 09.443.729/0001-07), holdings que controlam as empresas que formam o Consórcio Guaicurus, como a Viação Cidade Morena, que tem Maria Fernanda e Paulo Constantino como administradores.


A Viação Cidade Morena e a Pauma Empreendimentos também foram procuradas para se posicionar sobre as acusações feitas à Justiça, mas não retornaram os contatos. O espaço segue aberto para manifestações.


Consórcio sob intervenção

No dia 16 de junho, a prefeita Adriane Lopes (PP) decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus. A concessionária detém o contrato bilionário para explorar o transporte público de Campo Grande desde 2012 e, de lá para cá, é alvo de reclamações constantes de passageiros.


O Consórcio já havia sido alvo da CPI na Câmara de Campo Grande, em 2025, que recomendou a intervenção.

Então, a equipe de intervenção, chefiada pelo advogado Aléxandro de Oliveira, assumiu a gestão do conglomerado do ônibus de Campo Grande.


Agora, o grupo ficará na gestão do Consórcio por 180 dias. Ao fim, será elaborado um relatório sobre a situação da concessionária e a prefeita irá tomar decisão. Uma das possibilidades é decretar a caducidade da concessão (encerramento do contrato por culpa do Consórcio Guaicurus) e o município reassumir o serviço.


O Jornal Midiamax já revelou que estudo sobre uma possível nova licitação será iniciado pela Prefeitura e prevê exigência de ar-condicionado nos ônibus, além de parte da frota movida a gás e biogás.


Fonte: Midiamax

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