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Frio é esperança para conter chikungunya em MS? Especialistas explicam

  • há 8 horas
  • 3 min de leitura
Larvas do mosquito Aedes aegypti. (Divulgação, Prefeitura de Dourados)
Larvas do mosquito Aedes aegypti. (Divulgação, Prefeitura de Dourados)

A queda de temperatura pode influenciar na transmissão da doença, mas o impacto não é sentido de forma imediata


A chegada da frente fria em Mato Grosso do Sul neste fim de semana pode trazer um alívio temporário aos municípios que enfrentam alta nos casos de chikungunya. Com a queda brusca nas temperaturas prevista a partir deste sábado (8), especialistas apontam que o desenvolvimento e a atividade do mosquito Aedes aegypti tendem a diminuir, reduzindo momentaneamente a transmissão da doença.


Mesmo com o cenário favorável para uma “trégua”, o frio não elimina o vetor, e os cuidados para evitar criadouros devem ser mantidos. Conforme a presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, médica Andyane Tetila, embora a queda de temperatura possa influenciar na transmissão da doença, o impacto costuma ser parcial e não é sentido de forma imediata.


A especialista detalha que o frio interfere em pontos cruciais do ciclo de vida do mosquito, diminuindo a velocidade de reprodução, a frequência das picadas, e causando atraso no desenvolvimento das larvas. Além disso, frio intenso e prolongado pode impactar na sobrevivência do vetor, pois o vírus se replica de forma menos eficiente dentro do mosquito quando as temperaturas caem.


“Tudo isso pode contribuir para desacelerar a transmissão. Por outro lado, isso não significa que os casos parem de ocorrer. Em estados como o MS, especialmente em cenários de epidemia já estabelecida, ainda existem muitos fatores que sustentam a circulação da doença: alta infestação prévia, grande número de pessoas infectadas, presença de criadouros dentro das residências e períodos de frio relativamente curtos ou amenos”, acrescenta a infectologista.

Outro ponto levantado é que o frio não elimina os criadouros. Se houver locais com água parada, o mosquito continua a se desenvolver e se reproduzir, embora em menor intensidade. “Existe sim uma expectativa de desaceleração dos casos durante períodos mais frios, especialmente se houver queda sustentada da temperatura.Porém, isso costuma funcionar mais como uma “freada” da transmissão do que como um bloqueio da epidemia. Em locais com alta circulação viral, ainda podem ocorrer muitos casos mesmo durante o frio”, ressalta.


Como a temperatura interfere no ciclo de vida do mosquito?

Conforme explica a bióloga e doutora em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Jéssica Terilli Lucchetta, a temperatura ideal para o desenvolvimento do Aedes Aegypti varia entre 25 °C e 30°C. Os ovos costumam eclodir cerca de três dias após serem postos. Já a fase larval dura, em média, cinco dias, a fase de pupa de dois a três dias, e o mosquito adulto pode viver de 30 a 60 dias.


Quanto mais elevada a temperatura, mais acelerado é o ciclo de vida do mosquito, o que pode favorecer a reprodução. Já em período de frio intenso, o desenvolvimento da espécie fica lento, fazendo com que demore mais dias para que o inseto passe de uma fase para a outra. Por esse motivo, o frio impacta na transmissão.


“Há redução da quantidade de mosquitos voando em busca de sangue, o que é positivo para a população, já que apenas as fêmeas se alimentam de sangue humano para produzir ovos. Além disso, as larvas demoram mais para se desenvolver e permanecem mais tempo na fase de pupa, período em que não se alimentam. Consequentemente, a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya tende a diminuir”, explica.

Segundo a bióloga, o cenário ideal para reduzir a proliferação do mosquito seria um período de frio acompanhado de pouca chuva, uma vez que a chuva cria locais propícios para o desenvolvimento das larvas.


Contágio

A especialista Jéssica Terilli Lucchetta explica que a doença não pode ser transmitida de pessoa para pessoa. No entanto, ao ser contagiado, o indivíduo passa a ser um vetor, ou seja, se um mosquito livre do vírus picar a pessoa contagiada, ele passa a ser contagiado também, e, consequentemente, poderá contagiar mais pessoas.


“Por isso, o uso de repelente é fundamental, principalmente para pessoas infectadas, evitando que novos mosquitos sejam contaminados e espalhem o vírus para outras pessoas”, acrescenta a especialista.

Além disso, o vírus que transmite a chikungunya, dengue e zica, sofrem mutações ao longo do tempo, como mecanismo de sobrevivência. Por isso, a especialista destaca que é necessário manter cuidados constantes, incluindo vacinação, prevenção e combate ao mosquito transmissor.


“É importante evitar locais com água parada, pois eles servem de criadouro para o mosquito. Mesmo durante períodos frios, os ovos podem sobreviver e continuar o ciclo quando o clima se torna favorável novamente” finaliza.

Fonte: Midiamax

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