Empresário preso participou de licitação vencida por grupo de comunicação na Câmara de Terenos
- Fabio Sanches

- há 6 dias
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Entretanto, defesa nega envolvimento do profissional em licitações em Terenos
O empresário Leandro de Souza Ramos participou de licitação na qual a Impacto Mais, empresa alvo do Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), nesta terça-feira (21), sagrou-se campeã, na Câmara de Terenos.
O Gaeco deflagrou duas operações mirando fraudes em contratos do Legislativo e Executivo de Terenos. Enquanto a operação Collusion apura organização criminosa que fraudou licitação de serviços gráficos com a prefeitura e o Legislativo, a Simulatum investiga corrupção em contratos para locação de som firmados com a Câmara de Vereadores.
A expressão em inglês “Collusion”, que significa “conluio”, remete à ideia de acordos ilícitos realizados entre os investigados para fraudar contratos públicos.
Empresas participaram da mesma licitação
Entre os presos, está Leandro, que aparece como participante da Licitação nº 10/2022, da Câmara de Terenos, conforme o Portal da Transparência. Com a empresa Leandro de Souza Ramos (CNPJ 26.019.523/0001-73), ele vigora entre os integrantes do certame.
O processo visava à contratação de pessoa física ou jurídica para prestação de serviços de divulgação, em site e jornal, de circulação regional de notícias, matérias e atos oficiais e de interesse da Câmara de Vereadores de Terenos.
Leandro fez proposta de R$ 48,4 mil, enquanto a Impacto Empresa de Jornalismo LTDA (CNPJ 15.917.305/0001-30) ofereceu R$ 44,8 mil pelo serviço. A terceira participante, a FCVN comunicações LTDA (CNPJ 24.543.010/0001-31), ofertou R$ 46 mil.

Com menor preço, a Impacto venceu o certame. Apesar de ter o nome vinculado ao CNJP — existente há nove anos, com situação ativa e sede em Campo Grande —, Leandro alegou, por meio de defesa, que não possui envolvimento com a licitação.
“Leandro não tem envolvimento nenhum em licitação”, destacou Givanildo. “Empresa nenhuma do Leandro concorreu à licitação em Terenos. Não tem nenhum CNPJ vinculado ao nome do Leandro que tenha concorrido à licitação em Terenos”, disse a defesa do investigado.
Confira os nomes de três presos na operação:
Francisco Elivaldo de Sousa (Eli Sousa);
Antônio Henrique Ocampos Ribeiro;
Leandro de Souza Ramos.
O empresário Francisco Elivaldo de Sousa, conhecido como Eli Sousa, dono do grupo Impacto Mais, de Campo Grande, é um dos presos preventivamente em ação do Gaeco.
Fraudes em contratos de publicidade

Em nota oficial, o Ministério Público afirma que foram expedidos seis mandados de prisão e 30 de busca e apreensão. Alguns endereços ligados ao grupo de comunicação foram alvo de varredura no Carandá Bosque, em Campo Grande. Também houve ações no município de Rio Negro.
Os crimes ocorrem desde 2021 e tratam de fraudes em contratos com o município e a Câmara Municipal de Terenos.
Enquanto a operação Collusion apura organização criminosa que fraudou licitação de serviços gráficos com a prefeitura e o Legislativo, a Simulatum investiga corrupção em contratos para locação de som firmados com a Câmara de Vereadores.
Collusion: 6 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão;
Simulatum: 7 mandados de busca e apreensão.
Sociedade
Francisco é sócio do empresário Urandir Fernandes de Oliveira na empresa BDM Dourado Digital Gestão de Ativos Ltda. (CNPJ 37.992.346/0001-23).
Urandir é proprietário da empresa Dakila Comunicações, que tem como sede um imóvel ao lado da casa de Francisco, no Carandá Bosque. O edifício passa por reforma.
Conforme apurado pela reportagem, a Dakila Comunicação, fundada em 2024, adquiriu o referido imóvel do grupo Impacto.
Apesar disso, nem Urandir, nem o grupo Dákila estão sendo investigados.
O Jornal Midiamax falou com a advogada do ecossistema Dákila. Kézia Miranda ressaltou que “a BDM Dourado é uma outra empresa, ou seja, são empresas completamente distintas, objetos distintos e atividades distintas”.
A advogada explica que dois CNPJs em que Francisco consta como sócio de Urandir já estão em processo de liquidação e baixa contábil.
Ainda, ressalta que as buscas do Gaeco se restringiram a um imóvel vizinho ao prédio que pertence ao grupo Dákila, “sem qualquer vínculo jurídico, patrimonial ou operacional com o grupo ou com seu fundador [Urandir]”.
Fonte: Midiamax






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