Com discurso de linha-dura e alinhamento aos EUA, Abelardo de la Espriella assume a presidência da Colômbia
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Em cerimônia inédita em Cali, novo mandatário rompe com tradição bicentenária, encerra diálogos de paz e promete tolerância zero contra o narcotráfico.
O advogado Abelardo de la Espriella tomou posse nesta sexta-feira (7) como o novo presidente da Colômbia, consolidando uma guinada à direita na política do país sul-americano. Conhecido pela promessa de combater o crime organizado e as guerrilhas com "mão de ferro", de la Espriella assume o poder em um cenário de profunda polarização e recrudescimento da violência.
Saindo do protocolo tradicional de realizar a cerimônia em Bogotá — costume mantido há mais de dois séculos —, a posse foi realizada na cidade de Cali, no sudoeste colombiano, região próxima a territórios sob forte presença de grupos armados. O evento contou com a presença de cerca de dez chefes de Estado, uma comitiva da Casa Branca liderada pelo procurador-geral norte-americano e o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Transição turbulenta e contestação eleitoral
De la Espriella, de 48 anos, possui dupla nacionalidade (colombiana e norte-americana) e é aliado de Donald Trump. Ele sucede Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país. Petro não participou da transmissão de cargo e recusou-se a reconhecer o resultado das urnas, alegando suposta fraude eleitoral, sem apresentar provas para fundamentar a acusação.
No âmbito diplomático, o novo governante já sinalizou uma reaproximação estratégica com Washington e confirmou que rompera relações oficiais com os governos de Cuba e da Nicarágua, além de buscar cooperação em defesa com Israel.
Nova política de segurança e reformulação do Estado
O plano de governo do novo presidente prevê o encerramento definitivo das negociações de paz com facções ligadas ao narcotráfico, além da extinção do gabinete presidencial da paz e do departamento de direitos humanos. O objetivo anunciado é enxugar a máquina estatal em 40%.
Na área de segurança pública, de la Espriella pretende intensificar investidas militares e bombardeios contra acampamentos insurgentes, além de construir complexos penitenciários de alta segurança inspirados no modelo de El Salvador.
Especialistas e entidades de direitos humanos demonstram preocupação com os riscos de danos colaterais à população civil, destacando que a Colômbia conta atualmente com cerca de 25 mil integrantes em grupos armados ilegais e que o novo governo enfrentará desafios adicionais devido ao orçamento limitado das Forças Armadas e à falta de maioria consolidada no Congresso.







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