Bezerro atinge maior valor da série, mas reposição exige cautela no campo de MT
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Relatório do Imea aponta menor oferta, retenção de fêmeas e aumento de demanda externa
O bom momento das exportações brasileiras de carne bovina tem ajudado a manter o mercado aquecido, mas dentro da porteira o pecuarista de Mato Grosso já sente um desafio crescente com o custo da reposição.
Na última semana, o preço médio do bezerro de 7 arrobas chegou a R$ 16,86 por quilo, alta de 2,84% em relação à semana anterior. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o valor representa o maior patamar nominal da série histórica, reflexo da menor oferta de animais e da retenção de fêmeas nas propriedades.
Enquanto isso, o boi gordo a prazo foi cotado a R$ 356,81 por arroba, com leve queda de 0,51% no comparativo semanal. O movimento indica um mercado mais ajustado entre oferta e demanda, mas não elimina a pressão sobre as margens, principalmente para quem atua na recria, engorda e confinamento.
De acordo com a análise do Imea, o bezerro segue acumulando valorização superior à do boi gordo nos últimos 12 meses. Na média até a terceira semana de abril, o indicador do bezerro alcançou R$ 16,10 por quilo, avanço de 22,24% frente ao mesmo período do ano passado. Já o boi gordo a prazo registrou alta anual de 10,70%, cotado a R$ 355,87 por arroba no mesmo intervalo.
Esse descompasso mantém a reposição em patamares elevados e reforça a necessidade de atenção às margens da atividade.
No mercado externo, o cenário segue favorável. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que, até a quarta semana de abril, o Brasil já havia embarcado 216,27 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,34 bilhão. A média diária exportada chegou a 13,52 mil toneladas, crescimento de 11,95% em relação a abril de 2025.
Se o ritmo for mantido até o fim do mês, o volume exportado pode alcançar 283,85 mil toneladas, o que representaria novo recorde para abril. O preço médio da tonelada também avançou, chegando a US$ 6.200,66, alta de 23,24% na comparação anual.
Para o Imea, o momento combina dois movimentos importantes. De um lado, a demanda internacional firme sustenta os preços da carne bovina; de outro, a oferta mais enxuta de animais de reposição aumenta os custos dentro da fazenda.
“O cenário das exportações é positivo e contribui para dar sustentação ao mercado. Porém, o aumento do custo de reposição exige que o produtor acompanhe as margens de perto e reforce o planejamento da atividade”, destaca o Imea.
A orientação do Imea é que os pecuaristas avaliem com cautela as decisões de compra, venda e confinamento, considerando não apenas os preços atuais, mas também os custos de produção, a relação de troca e a estratégia de cada sistema produtivo.
Fonte: Famato







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