Presa por suspeita de fraude milionária, Rossana Jafar vai para regime domiciliar

Empresária foi presa em julho de 2026 em operação do Gaeco contra corrupção no interior do Estado
A empresária Rossana Jafar obteve a progressão para o regime domiciliar após quase três meses presa por suspeita de integrar esquema de fraude de R$ 27 milhões em prefeituras e órgãos estaduais de Mato Grosso do Sul. A decisão judicial foi expedida nesta quarta-feira (30).
Presa em operação contra desvios de recursos públicos nas áreas de saúde e educação em julho de 2026, Rossana tem epilepsia. A defesa apontou que a prisão agravou o quadro dela, ocasionando duas crises convulsivas na unidade prisional.
“Em razão de enfermidade que já a acometia antes da operação, e de acordo com laudo médico juntado após exames realizados dentro da unidade prisional, ficou demonstrado que a permanência no cárcere agravaria o estado de saúde”, disse ao Jornal Midiamax o advogado Pedro Paulo Sperb.
Assim, a juíza da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, Eucélia Moreira Cassal, aceitou os argumentos e determinou que a empresária cumpra a prisão preventiva em casa, cumprindo medidas cautelares como monitoramento por tornozeleira eletrônica.
“Ressalte-se que a prisão domiciliar, no caso, não representa impunidade ou benesse, mas sim medida que visa garantir o tratamento médico adequado à requerente [Rossana Jafar], sem comprometer os objetivos da persecução penal”, destacou a magistrada.
Operação desmonta esquema de corrupção na saúde e educação no interior de MS
Em 7 de julho de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), realizou a Operação Gutenberg contra uma organização criminosa que atuava contra a administração pública, principalmente fraude em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros delitos.
Foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
O Poder Judiciário autorizou a prisão dos seguintes investigados:
Rossana Paroschi Jafar, dentista e empresária;
Olívia Paroschi Jafar, médica e empresária;
Felipe Paroschi Jafar, ex-servidor comissionado da Agesul;
Giovanni Paroschi Jafar, empresário;
Rhayane Souza Fanaia, “laranja” do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
Ed Carlo Britto Burgatt, ex-coordenador do Core (Complexo Regulador Estadual);
Jéssyca Duarte Burgatt, filha de Ed e empresária;
Joatan Gomes Peixoto, empresário;
Matheus Oliveira Peixoto, – empresário;
Francisco Anízio dos Santos, empresário;
Douglas Henrique de Melo, empresário;
Paulo Rogério de Melo, empresário e pai de Douglas;
Gabriel Taquino de Paula, advogado;
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil;
Heyder Bartz, empresário.
Os investigados corrompiam servidores públicos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas, por meio da compra sem licitação de livros paradidáticos da Editora Avante, da família Jafar. Segundo o Gaeco, os valores recebidos pelo grupo ultrapassam a quantia de R$ 27 milhões, que eram divididos entre si para disfarçar a origem ilegal dos recursos.
Além disso, o esquema criminoso, em outras frentes de atuação, usava da influência de servidores corrompidos na saúde pública para trocar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais da rede estadual por compra de livros vendidos pelo grupo.
Denúncia e processo judicial da Gutenberg
Após a operação, o Gaeco denunciou os 17 investigados. Os promotores constataram que a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46) firmou contrato de R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda, mesmo sendo recém-criada e com capital social de R$ 40 mil, além de estar sediada em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
Depois, o Gaeco conseguiu a quebra do sigilo fiscal e telemático e chegou a ao menos 17 prefeituras que firmaram contratos suspeitos com a editora. Tudo seria mediante pressão, já que o grupo se utilizava da estrutura da regulação estadual de saúde para usar a liberação de procedimentos como moeda de troca para que prefeitos comprassem livros da Editora Avante, que seria controlada pela família Jafar.
Em agosto, a Justiça aceitou a denúncia e todo o grupo virou réu. Um mês depois, o caso foi suspenso após a defesa de Giovanni Jafar levantar uma questão de impedimento da juíza do Núcleo de Garantias. Cabe ao TJMS (Tribunal de Justiça de MS) decidir sobre a continuidade da ação.
Fonte: Midiamax







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