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Operação Rodas da Sorte: Influenciador Eduardo Razuk e mais sete são indiciados por esquema de rifas ilegais

  • há 13 horas
  • 2 min de leitura
Eduardo ao lado de veículo avaliado em R$ 1,2 milhão (Foto: Reprodução | Instagram)
Eduardo ao lado de veículo avaliado em R$ 1,2 milhão (Foto: Reprodução | Instagram)

Polícia Civil conclui inquérito que aponta movimentação superior a R$ 100 milhões, uso de empresa de fachada e crimes como lavagem de dinheiro e associação criminosa; defesa alega autorização legal.


A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu, nesta sexta-feira (28), as investigações da Operação “Rodas da Sorte”. No total, oito pessoas foram indiciadas por envolvimento em um esquema interestadual de rifas ilegais divulgadas pela internet. Entre os principais alvos está o influenciador digital Eduardo Razuk, apontado como principal organizador da atividade, que teria promovido mais de 100 sorteios sem autorização legal desde 2019.


De acordo com a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), as apurações revelaram que o grupo operava de forma ininterrupta, tendo movimentado mais de R$ 100 milhões em um período de apenas seis meses. Os prêmios sorteados incluíam veículos de luxo avaliados entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, além de aparelhos celulares e valores em dinheiro transferidos via Pix.


Estrutura do esquema e mandados

A operação mobilizou o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão em Campo Grande (MS), João Pessoa e Campina Grande (PB), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF). Durante as diligências, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, imóveis e mais de 20 veículos de luxo ligados aos suspeitos.


Conforme o inquérito policial, os sorteios eram realizados sem o devido respaldo legal até que, a partir de 2025, o grupo passou a adotar uma estrutura societária para tentar conferir uma "roupagem de licitude" à atividade. Uma empresa sediada na Paraíba, detentora de autorização da loteria daquele estado, passou a constar formalmente como organizadora, enquanto Razuk atuaria oficialmente apenas como divulgador contratado.


No entanto, os investigadores classificaram a estrutura como uma empresa de fachada. A polícia apontou inconsistências documentais, como registros formalizados dias após a deflagração da operação em agosto de 2026, além da participação de um intermediário no Rio de Janeiro responsável por fornecer soluções tecnológicas para os sorteios.


Defesa rebate acusações

Em manifestação à imprensa, a defesa dos investigados, representada pelos advogados Tiago Bunning e João Paulo Calves, sustentou a legalidade dos sorteios. Segundo Bunning, a legislação da Paraíba autoriza a comercialização e a publicidade de sorteios chancelados pela Loteria da Paraíba mesmo fora do estado de origem.


Para a defesa, a existência dessa autorização afasta a tese de crime antecedente, invalidando por consequência a acusação de lavagem de dinheiro. Contudo, a Polícia Civil reforça que os indícios comprovam que o influenciador era o verdadeiro operador do esquema, montando uma fachada contratual para burlar fiscalizações e transmitir falsa segurança aos compradores.


Os suspeitos foram indiciados de forma individualizada pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, publicidade enganosa e contravenção penal de loteria não autorizada. O procedimento segue em andamento com direito ao contraditório e à ampla defesa.


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