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O que esperar da Assembleia Geral da ONU, que terá Lula e Trump dividindo holofotes

há 5 horas
4 min de leitura
Montagem Trump e Lula na ONU em fotos de arquivo - TIMOTHY A. CLARY / AFP / Ricardo Stuckert/PR
Montagem Trump e Lula na ONU em fotos de arquivo - TIMOTHY A. CLARY / AFP / Ricardo Stuckert/PR

Pela tradição das Nações Unidas, o Brasil é o primeiro país a falar. Logo depois vem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representando o país-sede


Nova York volta a ser, nesta semana, o centro da diplomacia mundial. Chefes de Estado, ministros, diplomatas e autoridades de diversos países estão na cidade para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Para o Brasil, o principal momento acontece nesta terça-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará o tradicional discurso de abertura do debate de alto nível da ONU.


Pela tradição das Nações Unidas, o Brasil é o primeiro país a falar. Logo depois vem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representando o país-sede.


A proximidade entre os dois discursos aumenta a expectativa sobre um possível encontro entre Lula e Trump nos bastidores da ONU.


Até agora, não existe uma reunião bilateral formal confirmada entre os dois presidentes.


Integrantes do governo brasileiro, no entanto, afirmam que a estratégia do governo Brasileiro está em criar oportunidade para que ambos possam se cruzar nos corredores ou em áreas reservadas aos chefes de Estado e aí conversarem.


Discurso de Lula

Lula deve levar à tribuna temas como a defesa do multilateralismo, da soberania dos países, o combate à fome e à pobreza, mudanças climáticas, crime organizado transnacional e a necessidade de reforma das instituições multilaterais, especialmente do Conselho de Segurança da ONU.


A questão da soberania brasileira também deve ganhar espaço no discurso, em meio às recentes tensões entre Brasília e Washington.


Donald Trump, por outro lado, chega a Nova York com uma agenda internacional extensa e reuniões com diferentes chefes de Estado e de governo. No centro das discussões estão temas como Ucrânia, Oriente Médio, Irã e outros pontos importantes da política externa americana.


Mas a movimentação brasileira começou antes mesmo do discurso de terça-feira.


Lula em Nova York

Nesta segunda-feira, Lula concentra parte da agenda em encontros políticos e diplomáticos em Nova York. Entre os compromissos está uma reunião com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, além de encontros com o senador americano Bernie Sanders e com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi.


E o encontro com Mamdani merece atenção especial.


O prefeito de Nova York, que se define como socialista democrático e integra o Partido Democrata, tornou-se uma das figuras de maior visibilidade da ala progressista americana e mantém divergências importantes com Donald Trump, especialmente em temas como imigração e políticas sociais.


Segundo apuração do colunista, em conversas com fontes políticas em Washington e Nova York, a reunião entre Lula e Mamdani tem um componente político muito mais amplo do que um encontro protocolar entre o presidente brasileiro e o prefeito da cidade que recebe a Assembleia Geral.


Na avaliação dessas fontes, existe uma aproximação política entre Lula e Mamdani baseada não apenas em pontos de convergência em determinadas pautas sociais e internacionais, mas também nas diferenças que os dois mantêm em relação a posições defendidas por Donald Trump.


Não se trata de uma articulação formal contra o presidente americano. Mas, segundo essas fontes, existe, sim, interesse político em fortalecer uma agenda alternativa e esvaziar, dentro desse campo político, algumas das pautas defendidas por Trump.


Nos bastidores, a avaliação é de que Mamdani também tenta ampliar sua projeção para além dos Estados Unidos e estreitar relações com a esquerda brasileira. Lula, por sua vez, mantém canais de diálogo com setores da política americana que apresentam uma agenda distinta daquela defendida pela Casa Branca.


É justamente aí que o encontro ganha peso.


A aproximação coloca frente a frente duas lideranças de esquerda que encontram pontos de convergência em temas sociais e internacionais e que, ao mesmo tempo, mantêm diferenças importantes em relação a políticas defendidas por Trump.


O encontro, portanto, tem valor político e simbólico.


De um lado, Lula, presidente do maior país da América Latina.


Do outro, uma das figuras de maior visibilidade da esquerda americana.


E, como pano de fundo, Donald Trump, que também estará em Nova York e discursará imediatamente depois do presidente brasileiro na Assembleia Geral.


Trump e Mamdani

A relação entre Mamdani e Trump é marcada por divergências políticas. Ainda assim, a relação institucional entre a prefeitura de Nova York e a Casa Branca permanece aberta, e os dois também mantêm contatos sobre questões diretamente ligadas à cidade.


Nova York, portanto, concentra nesta semana uma rede de encontros que vai muito além dos discursos oficiais da ONU.


A presença brasileira também não se resume ao presidente.


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece envolvido em uma extensa agenda de reuniões durante a semana. Outros ministros e integrantes do governo brasileiro participam de encontros paralelos e reuniões bilaterais, transformando Nova York, durante alguns dias, em um dos principais centros da diplomacia brasileira.


Lula faz uma passagem relativamente curta pela cidade. Na terça-feira pela manhã, antes de discursar, também está previsto um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.


Mas toda a atenção estará concentrada no plenário e, principalmente, nos bastidores.


Fonte: Jovem Pan


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