Intervenção na Transportadora: Prefeitura de Campo Grande Apura Desvios de R$ 32 Milhões e Fraudes no Consórcio Guaicurus
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Relatório da Comissão Especial aponta omissões contábeis desde 2012, venda irregular de sede e repasses milionários a empresa extinta; consórcio defende regularidade das operações.
A crise no transporte público de Campo Grande ganhou novos capítulos após a decretação de intervenção municipal no Consórcio Guaicurus. Documentos protocolados pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) revelam que a investigação conduzida pela Prefeitura engloba três frentes principais de apuração: irregularidades contábeis mantidas há mais de uma década, suspeita de fraude fiscal na venda da garagem principal e desvios milionários de recursos da concessão.
As Três frentes de Investigação
De acordo com o relatório da Comissão Especial de Intervenção, o sistema de transporte coletivo da capital sul-mato-grossense sofreu com falhas estruturais graves e descapitalização patrimonial. As frentes de auditoria detalham:
Omissões contábeis (desde 2012): Auditores investigam a ocultação contínua de receitas e fluxos de caixa da concessionária ao longo dos anos.
Fraude fiscal na venda de garagem (2021): A venda da sede do consórcio, localizada na Avenida Gury Marques, é alvo de questionamentos. O imóvel figura na contabilidade por R$ 14,4 milhões, mas a escritura registra R$ 7,7 milhões — embora os empresários tenham confirmado o recebimento de R$ 9,9 milhões. O montante não foi reinvestido no sistema para renovação de frota ou equilíbrio financeiro.
Repasse atípico de R$ 32 milhões: Entre 2019 e 2021, valores expressivos foram transferidos para a Viação Cidade dos Ipês, empresa criada para gerenciar a garagem da antiga Viação São Francisco e posteriormente extinta, sem comprovação de reinvestimento no transporte público.
Defesa do Consórcio Guaicurus
Em nota oficial, o Consórcio Guaicurus repudiou as acusações de manobras ocultas e reiterou a legalidade de suas operações societárias. A defesa destacou que as movimentações constam em registros públicos na Junta Comercial de Mato Grosso do Sul e que as empresas sucessoras (Viação Cidade Morena e Viação Campo Grande) assumiram integralmente ativos e passivos da empresa cindida.
O consórcio também argumentou que o contrato de concessão não obriga que as garagens sejam bens próprios da concessionária, podendo ser alugadas ou emprestadas, desde que atendam aos requisitos operacionais. Por fim, a empresa afirmou que a escrituração contábil está sob total controle da equipe interventora e que responderá a todos os questionamentos na Justiça, aguardando o devido processo legal antes de qualquer conclusão definitiva.







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