Advogada é presa em quadrilha de policiais traficantes em MS

Mulher teve prisão preventiva decretada na Operação Infiltrados, que investiga o desvio de drogas apreendidas por policiais; delegado também está entre os presos.
Uma advogada está entre as pessoas presas na Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quinta-feira (24), em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul.
Contra J. S. S., conforme apurou o Correio do Estado, foi cumprido um mandado de prisão preventiva por suspeita de integrar uma quadrilha chefiada por policiais que traficavam drogas apreendidas durante operações.
No grupo, há até delegado de polícia, caso de Hoffman D’Ávila Cândido Souza, titular da 6ª Delegacia de Campo Grande, mas que ficou mais de cinco anos, de 2019 a fevereiro de 2026, na titularidade da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico de Campo Grande (Denar), divisão policial que, justamente, deveria combater o tráfico de entorpecentes.
A participação da advogada não foi detalhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O Correio do Estado apurou, contudo, que ela tem um escritório de advocacia em sociedade com o marido — que não é investigado — e que teria um familiar envolvido com o narcotráfico.
Em uma busca no banco de processos criminais, o Correio do Estado encontrou processos em que a advogada defende acusados de tráfico presos pela Denar.
Alvo de prisão preventiva, a advogada está reclusa no Presídio Militar de Campo Grande pelo fato de ser advogada. O cumprimento do mandado de prisão contra ela foi devidamente acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), que deve abrir processo ético-disciplinar contra a suspeita.
Por ter uma filha bebê, a expectativa é que a advogada ingresse, nas próximas horas, com um pedido de relaxamento da prisão na Justiça.
Policiais traficantes
A Operação Infiltrados, do Gaeco, foi às ruas para cumprir 24 mandados de prisão preventiva nesta quinta-feira (24), dois mandados de prisão temporária e ainda 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.
A investigação teve início depois de as equipes do Gaeco descobrirem um grande esquema de desvio de droga apreendida, especialmente cocaína, por policiais. As informações chegaram ao conhecimento do Gaeco durante as operações Traquetos e Blindspot.
O desvio das drogas apreendidas ocorria por meio da omissão dos policiais ao realizarem os registros formais das ocorrências de parte da droga efetivamente arrecadada ou até mesmo pela subtração da cocaína do depósito da delegacia.
Os policiais civis, então, repassavam a droga a traficantes que não atuam no serviço público, como eles, dando seguimento ao comércio ilegal.
Entre os presos, há um delegado da Polícia Civil, policiais civis, policiais militares e um policial penal.
Fonte: Correio do Estado







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