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Acusados de corrupção na saúde sacaram R$ 9,2 milhões de forma fracionada para driblar investigação

  • há 3 horas
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Documentos apreendidos durante a Operação Gutenberg. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)
Documentos apreendidos durante a Operação Gutenberg. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Gaeco identificou retiradas com valores abaixo de R$ 50 mil para não deixar rastro do dinheiro de corrupção e fugir do radar do Coaf


Investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) que revelou esquema de fraudes e corrupção que desviou R$ 27.446.110,71 de prefeituras de Mato Grosso do Sul mostrou o modus operandi dos envolvidos para ‘driblar’ investigações do órgão de investigações financeiras do Banco Central.


Conforme o relatório de investigações da Operação Gutenberg, foram identificados centenas de saques bancários no valor total de R$ 9.217.000,00 da conta da Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46), que firmou contratos com 17 prefeituras no Estado de forma fraudulenta, segundo o Gaeco.


A estratégia utilizada pelos investigados era realizar saques com valores entre R$ 45 mil e R$ 49 mil, abaixo dos R$ 50 mil, para tentar fugir do radar do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), unidade de inteligência do BC para investigar indícios de lavagem de dinheiro através de movimentações bancárias.


Relatório apontou que foram mais de R$ 9,2 milhões em saques efetuados pelo grupo investigado. (Reprodução)
Relatório apontou que foram mais de R$ 9,2 milhões em saques efetuados pelo grupo investigado. (Reprodução)

Ocorre que valores a partir de R$ 50 mil precisam ser avisados ao banco com antecedência de três dias úteis. A transação gera comunicação imediata ao Coaf, que passa a rastrear a origem do dinheiro.


A investigação do Gaeco analisou dados financeiros dos investigados e apontou que o dinheiro das prefeituras caía na conta da editora, que tinha como proprietária a estudante Rhayane Souza Franaia, apontada como ‘laranja’ do clã Jafar. Ela era nora da matriarca, Rossana Paroschi Jafar.


Saques eram fracionados por dia e com valores abaixo de R$ 50 mil, como mostra o quadro com parte das retiradas. (Reprodução)
Saques eram fracionados por dia e com valores abaixo de R$ 50 mil, como mostra o quadro com parte das retiradas. (Reprodução)

Caminho do dinheiro

As investigações do Gaeco mostraram que o dinheiro que caía na conta da editora como pagamento das prefeituras era escoado para os demais integrantes do grupo criminoso.


Rhayane obedecia às ordens do clã Jafar — apontado como o líder do esquema de corrupção, tendo como membros a matriarca Rossana Jafar e os filhos, Olívia e Pedro, que estão presos, e Giovanni, ex-marido de Rhayane, que está foragido.


Os saques seriam realizados por Rhayane e distribuídos aos demais membros da organização criminosa a mando do clã Jafar, como destaca trecho do relatório de investigação do Gaeco.



Trecho de relatório de investigação do Gaeco sobre a distribuição do dinheiro ilícito. (Reprodução)
Trecho de relatório de investigação do Gaeco sobre a distribuição do dinheiro ilícito. (Reprodução)
Contato cadastrado como Editora Avante enviava ordens para Rhayane distribuir dinheiro. (Reprodução)
Contato cadastrado como Editora Avante enviava ordens para Rhayane distribuir dinheiro. (Reprodução)

Clã Jafar comandava esquema

O relatório de investigação do Gaeco aponta que, após a morte em 2021 do patriarca da família Jafar, Mirched, por covid, a viúva, Rossana Jafar, e os filhos, Olívia, Giovanni e Felipe, abriram outros CNPJs para continuar com operações de corrupção. A Gráfica Alvorada, que ainda pertence ao clã, é implicada em lavagem de dinheiro no contexto da Operação Lama Asfáltica.


Quebra de sigilo fiscal apontou que Olívia recebia diversas transferências em sua conta pessoal da Editora Avante, que firmava contratos com os municípios.


Para o Gaeco, essa é a prova de que Olívia era uma das líderes do esquema, junto dos irmãos e da mãe.


No total, a Operação Gutenberg prendeu 14 pessoas, incluindo o clã Jafar, com exceção de Giovanni, que é considerado foragido. A mãe, Rossana, foi flagrada com munições intactas e também responde pelo crime de posse de arma de fogo.


Foram apreendidos mais de R$ 200 mil em espécie e R$ 3 milhões em cheques.


O Jornal Midiamax procurou a defesa de Olívia e Rossana, mas não houve retorno até esta publicação. A reportagem não conseguiu contato com Rhayane ou seus advogados. O espaço segue aberto para manifestação.


Família Jafar, (da esquerda para a direita): Giovanni, Olívia, Rossana e Felipe. (Reprodução, Redes Sociais)
Família Jafar, (da esquerda para a direita): Giovanni, Olívia, Rossana e Felipe. (Reprodução, Redes Sociais)

Fonte: Midiamax


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