20% dos apostadores consideram bet uma forma de investimento

Descoberta é do Raio-X do Investidor Brasileiro 2026
Aposta não é investimento. Essa é a advertência do Ministério da Fazenda sobre as chamadas bets, ou apostas online, consideradas por cerca de 20% dos apostadores como uma forma de investir.
O número pertence ao nono Raio-X do Investidor Brasileiro 2026, lançado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Segundo o estudo, cerca de 17% da população economicamente ativa apostou online em 2025, com gasto médio mensal em torno de R$ 200.
As motivações mais frequentes são as chances de ganho rápido em momentos de necessidade e o sonho de conseguir grandes quantias.
No entanto, chama a atenção quem considera as bets como forma de investimento, pois esta parcela declara gastar mais com apostas, em média, mais de R$ 280 por mês.
A analista de Educação Financeira da entidade fechada de previdência complementar Valia, Bárbara Ferraz, explica que há diferenças entre aposta, investimento e geração de renda.
"Aposta depende de um resultado incerto. Você pode ganhar, mas pode perder todo o valor apostado, e cada nova rodada começa esse ciclo de novo. Investimento tem planejamento, tem objetivo e tem prazo. Pode ter risco, que é importantíssimo que seja conhecido, e um ponto importante é que ele ajuda a formar patrimônio ao longo do tempo. Já a geração de renda vem do trabalho. Pode vir do emprego, da prestação de um serviço, de um negócio ou de uma atividade produtiva."
No caso das apostas, o desejo pelo ganho rápido pode levar à recorrência das práticas. Segundo a analista, a frequência traz consequências ao orçamento familiar a longo prazo.
"Quando a pessoa aposta com frequência, o dinheiro deixa de cumprir outros objetivos. A reserva, seja para cobrir uma emergência ou até para aproveitar uma oportunidade, não cresce. As dívidas podem aumentar, os planos são adiados. Existe também o risco de tentar recuperar uma perda. A pessoa perde, aposta de novo, às vezes até aumentando o valor, e isso também vira um ciclo."
Bárbara Ferraz explica que é preciso se atentar a alguns sinais de alerta para possível perda de controle.
"A pessoa atrasa aluguel, água, luz ou cartão, usa o limite da conta, faz empréstimos ou apostas para tentar recuperar o que perdeu. Outro alerta é esconder valores da família ou gastar mais tempo e dinheiro do que havia planejado. Também preocupa quando a pessoa tenta parar, mas não consegue, e fica irritada quando reduz as apostas."
Segundo a analista, caso haja perda de controle, a recomendação é interromper as apostas e buscar por tratamento psicológico profissional.
Por meio do aplicativo Meu SUS Digital, o Sistema Único de Saúde oferece auxílio gratuito para o tratamento da chamada ludopatia, que é o vício em jogos de azar.
*Com informações da Agência Brasil
Fonte: Rádio Agência Brasil







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